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30 de jun. de 2013

NÃO ERAM INVISÍVEIS!

Eles estão em Rondônia há pelo menos 40 anos. Vieram de uma fazenda de cana no interior do Paraná, onde o pai era o gerente. Eram tempos difíceis, a mão de obra humana estava sendo substituída pela máquina - não só na cultura da cana, como em quase todas outras - e os problemas sociais cresciam nas cidades do Sudeste a cada dia.
A solução encontrada pelo governo federal foi mandar estes trabalhadores desempregados para a "Nova Fronteira Agrícola" sob o slogan nacionalista "Integrar para não entregar", cumprindo os mandamentos da teoria da conspiração (ainda em vigência) que a Amazônia é alvo da cobiça mundial.
Entre estas famílias, vieram os Donadon. Estavam entre os pioneiros que chegaram ao local onde se localiza o município de Colorado do Oeste, por volta de 1973. Não sei em que trabalharam. Em 1986, quando fui
àquela cidade pela primeira vez, conheci o seu Marcos Donadon, que era o prefeito. Os filhos que já tinham idade ocupavam secretarias municipais, "os outros meninos estão lá fora [do Estado] estudando", entre eles Raquel, que era bolsista do Governo de Rondônia.
Os Donadon
A partir da esquerda: Melki (foto Ariquemes190), Marco Antônio (ALE-RO) e Natan (Portal da Câmara). 

Ousadia
Eu ia pouco a Colorado, numa delas me surpreendi com o Hotel Donadon, prédio novo, de três andares. "Pegaram dinheiro do Beron", disse-me alguém. Depois soube que o Beron pegou o hotel dos Donadon.
Três filhos seguiram a carreira política. Melkisedeck (Melki) e Míriam Donadon foram prefeitos de Colorado do Oeste. Marco Antônio Donadon é eleito sucessivamente deputado estadual desde 1995, tendo sido o deputado estadual mais votado em 2002 e presidente da ALE-RO de 1995 a 1999.
Natan Donadon, o "cão pirento" da vez, é deputado federal desde 2003 (renunciou e reassumiu). Volto a falar nele daqui a pouco.
Numa ousadia, desafiando as oligarquias locais, Melki Donadon mudou o endereço eleitoral para Vilhena, fez uma campanha cheia de denúncias, mas assumiu a prefeitura em 1997, saindo no ano seguinte. Sem a Lei da Ficha Limpa, candidatou-se e se elegeu entre 2001 e 2004. Impedido de ir à reeleição, lançou e elegeu o sobrinho, Marlon Donadon, poucos dias antes das eleições de 2004.

Presidindo sessão vazia
Voltando a Brasília. Fui testemunha das dezenas de vezes que o deputado Natan Donadon assumiu a presidência da Câmara dos Deputados em segundas-feiras e manhãs de terças-feiras mortas, mas com um ou outro deputado discursando para as câmaras da TV Câmara e para os "anais da Casa". Ele não era invisível, como afirmou o jornalista Josias de Souza. Talvez discreto, pois sabia que a qualquer momento a mão pesada da Lei cairia sobre o ombro dele. E foi o que aconteceu.
Fica a lição. Se a população vota dezenas de vezes em políticos com problemas com a Justiça cível, criminal ou eleitoral, alguma coisa está errada. E somos nós, eleitores, que estamos errados.