Enquanto eu escrevia a nota anterior "SEVAI", fiquei pensando: Como tem gente que consegue destruir coisa boa que funciona? Se havia falcatrua, nepotismo, o escambau, faz um limpa e o Conselho do Sebrae indica novos dirigentes e o trem segue nos trilhos.
O que não pode é se intervir e parar. Lembrem que foi isso que aconteceu no Beron e estamos pagando pela incúria até hoje!
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13 de set. de 2014
26 de jun. de 2014
DÍVIDA DO BERON
Fico contente com a notícia de que o Governo de Rondônia conseguiu suspender - pelo menos temporariamente - o pagamento da interminável dívida do "Banco" Beron. Atualmente a mensalidade é de R$ 15 milhões.
30 de jun. de 2013
NÃO ERAM INVISÍVEIS!
Eles estão em Rondônia há pelo menos 40 anos. Vieram de uma fazenda de cana no interior do Paraná, onde o pai era o gerente. Eram tempos difíceis, a mão de obra humana estava sendo substituída pela máquina - não só na cultura da cana, como em quase todas outras - e os problemas sociais cresciam nas cidades do Sudeste a cada dia.
A solução encontrada pelo governo federal foi mandar estes trabalhadores desempregados para a "Nova Fronteira Agrícola" sob o slogan nacionalista "Integrar para não entregar", cumprindo os mandamentos da teoria da conspiração (ainda em vigência) que a Amazônia é alvo da cobiça mundial.
Entre estas famílias, vieram os Donadon. Estavam entre os pioneiros que chegaram ao local onde se localiza o município de Colorado do Oeste, por volta de 1973. Não sei em que trabalharam. Em 1986, quando fui
àquela cidade pela primeira vez, conheci o seu Marcos Donadon, que era o prefeito. Os filhos que já tinham idade ocupavam secretarias municipais, "os outros meninos estão lá fora [do Estado] estudando", entre eles Raquel, que era bolsista do Governo de Rondônia.
Três filhos seguiram a carreira política. Melkisedeck (Melki) e Míriam Donadon foram prefeitos de Colorado do Oeste. Marco Antônio Donadon é eleito sucessivamente deputado estadual desde 1995, tendo sido o deputado estadual mais votado em 2002 e presidente da ALE-RO de 1995 a 1999.
Natan Donadon, o "cão pirento" da vez, é deputado federal desde 2003 (renunciou e reassumiu). Volto a falar nele daqui a pouco.
Numa ousadia, desafiando as oligarquias locais, Melki Donadon mudou o endereço eleitoral para Vilhena, fez uma campanha cheia de denúncias, mas assumiu a prefeitura em 1997, saindo no ano seguinte. Sem a Lei da Ficha Limpa, candidatou-se e se elegeu entre 2001 e 2004. Impedido de ir à reeleição, lançou e elegeu o sobrinho, Marlon Donadon, poucos dias antes das eleições de 2004.
Presidindo sessão vazia
Voltando a Brasília. Fui testemunha das dezenas de vezes que o deputado Natan Donadon assumiu a presidência da Câmara dos Deputados em segundas-feiras e manhãs de terças-feiras mortas, mas com um ou outro deputado discursando para as câmaras da TV Câmara e para os "anais da Casa". Ele não era invisível, como afirmou o jornalista Josias de Souza. Talvez discreto, pois sabia que a qualquer momento a mão pesada da Lei cairia sobre o ombro dele. E foi o que aconteceu.
Fica a lição. Se a população vota dezenas de vezes em políticos com problemas com a Justiça cível, criminal ou eleitoral, alguma coisa está errada. E somos nós, eleitores, que estamos errados.
A solução encontrada pelo governo federal foi mandar estes trabalhadores desempregados para a "Nova Fronteira Agrícola" sob o slogan nacionalista "Integrar para não entregar", cumprindo os mandamentos da teoria da conspiração (ainda em vigência) que a Amazônia é alvo da cobiça mundial.
Entre estas famílias, vieram os Donadon. Estavam entre os pioneiros que chegaram ao local onde se localiza o município de Colorado do Oeste, por volta de 1973. Não sei em que trabalharam. Em 1986, quando fui
àquela cidade pela primeira vez, conheci o seu Marcos Donadon, que era o prefeito. Os filhos que já tinham idade ocupavam secretarias municipais, "os outros meninos estão lá fora [do Estado] estudando", entre eles Raquel, que era bolsista do Governo de Rondônia.
Os Donadon
A partir da esquerda: Melki (foto Ariquemes190), Marco Antônio (ALE-RO) e Natan (Portal da Câmara).
Ousadia
Eu ia pouco a Colorado, numa delas me surpreendi com o Hotel Donadon, prédio novo, de três andares. "Pegaram dinheiro do Beron", disse-me alguém. Depois soube que o Beron pegou o hotel dos Donadon.Três filhos seguiram a carreira política. Melkisedeck (Melki) e Míriam Donadon foram prefeitos de Colorado do Oeste. Marco Antônio Donadon é eleito sucessivamente deputado estadual desde 1995, tendo sido o deputado estadual mais votado em 2002 e presidente da ALE-RO de 1995 a 1999.
Natan Donadon, o "cão pirento" da vez, é deputado federal desde 2003 (renunciou e reassumiu). Volto a falar nele daqui a pouco.
Numa ousadia, desafiando as oligarquias locais, Melki Donadon mudou o endereço eleitoral para Vilhena, fez uma campanha cheia de denúncias, mas assumiu a prefeitura em 1997, saindo no ano seguinte. Sem a Lei da Ficha Limpa, candidatou-se e se elegeu entre 2001 e 2004. Impedido de ir à reeleição, lançou e elegeu o sobrinho, Marlon Donadon, poucos dias antes das eleições de 2004.
Presidindo sessão vazia
Voltando a Brasília. Fui testemunha das dezenas de vezes que o deputado Natan Donadon assumiu a presidência da Câmara dos Deputados em segundas-feiras e manhãs de terças-feiras mortas, mas com um ou outro deputado discursando para as câmaras da TV Câmara e para os "anais da Casa". Ele não era invisível, como afirmou o jornalista Josias de Souza. Talvez discreto, pois sabia que a qualquer momento a mão pesada da Lei cairia sobre o ombro dele. E foi o que aconteceu.
Fica a lição. Se a população vota dezenas de vezes em políticos com problemas com a Justiça cível, criminal ou eleitoral, alguma coisa está errada. E somos nós, eleitores, que estamos errados.
6 de jun. de 2013
UMA RESENHA QUE VIROU CRÔNICA
Conheço Paulo Saldanha desde quando ele era presidente do Beron, na década de 1980, no segundo mandato. Fui cobrir as férias da Mara Paraguassu e, depois, da Jeanne Machado. Fomos apresentados e depois conversamos muito pouco. Sabia da história dele, da missão assumida junto ao governador Jorge Teixeira em criar o Banco do Estado de Rondônia e implantar, logo depois, as novas agências.
Fui reencontrá-lo já empresário do ramo hoteleiro. Sempre que podemos conversamos pessoalmente ou por troca de e-mails. É um papo sempre agradável e a minha admiração pelo dr. Paulo Saldanha continua em alta. É só ver aqui. Agora, me meti a fazer uma resenha do livro "Esperança - 50 anos depois", mas misturei tudo.
Capa de Esperança; Paulo Saldanha e eu, no café da manhã do Pakaás (Fotos JCarlos e Marcela Ximenes/2010)
“Esperança – 50 anos depois” – Uma resenha ou viagem no tempo?
Aproveitei uma viagem, em que ficamos 13 horas em voos ou conexões, para começar e concluir a leitura, que foi feita devagar, saboreando cada passagem. Confesso que alternei estágios de descobertas com outros de lembranças próprias (nem todas vividas). As tramas fictícias se emaranham com fatos históricos, que eu já havia lido em livros de história ou biografias de personalidades da região.
Em algumas passagens, eu sentia estar sentado no final da passarela da trilha, construída sobre palafitas, no Pakaás, na margem do rio Mamoré. Se ouvia os gritos das araras e periquitos e tirava os olhos das páginas do livro, caía na minha realidade. Estava em uma sala de embarque ou em um silencioso avião, voando na madrugada.
Entre experiências sensoriais que Paulo Saldanha transmite em palavras, o livro conta a história de toda uma região, com a miscigenação cultural, os perigos, o trabalho incessante dos seringueiros, o isolamento, as pressões que os homens e mulheres sofriam em uma região inóspita e distante.
A história que permeia todo o drama inicia com o casamento de descendente de imigrante alemão e uma descendente de imigrante italiano com uma nordestina. Depois de muitas aventuras chegam à Amazônia, nas margens do rio Madeira.
Paralelo à vida da família Kaufmann, o leitor viaja pelos fatos que aconteceram na região e no mundo no período de cerca de 200 anos. Você acompanha a exploração da floresta amazônica, com a prospecção dos rios; o primeiro ciclo da borracha; o contrabando de sementes de seringueiras para a Malásia; a Guerra do Acre; o Tratado de Petrópolis; o ‘crack’ (em outro sentido, mas tão devastador quanto o atual) da Bolsa de Nova Iorque; a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais, a Revolução Industrial.
Alguns fatos incidentais no livro nos são bastante conhecidos, como a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré; as escaramuças dos seringueiros com os índios; as articulações pela criação do Território Federal do Guaporé; fatos históricos e folclóricos de Guajará-Mirim; o coronel Aluízio Ferreira, Dom Rey e até o Capitão Alípio.
Fui reencontrá-lo já empresário do ramo hoteleiro. Sempre que podemos conversamos pessoalmente ou por troca de e-mails. É um papo sempre agradável e a minha admiração pelo dr. Paulo Saldanha continua em alta. É só ver aqui. Agora, me meti a fazer uma resenha do livro "Esperança - 50 anos depois", mas misturei tudo.
Capa de Esperança; Paulo Saldanha e eu, no café da manhã do Pakaás (Fotos JCarlos e Marcela Ximenes/2010)
“Esperança – 50 anos depois” – Uma resenha ou viagem no tempo?
No início deste ano – durante a estadia no Pakaás Palafitas Lodge –
ganhei do autor, Paulo Saldanha, nosso anfitrião, o livro “Esperança – 50 anos
depois”. Li as ‘orelhas’, a apresentação, o prefácio e guardei o livro para uma
oportunidade em que pudesse ler toda a obra de uma vez, pois nestes tempos de
internet, ficamos meio que escravos de computadores, tabletes e tentações
semelhantes.
Aproveitei uma viagem, em que ficamos 13 horas em voos ou conexões, para começar e concluir a leitura, que foi feita devagar, saboreando cada passagem. Confesso que alternei estágios de descobertas com outros de lembranças próprias (nem todas vividas). As tramas fictícias se emaranham com fatos históricos, que eu já havia lido em livros de história ou biografias de personalidades da região.
Em algumas passagens, eu sentia estar sentado no final da passarela da trilha, construída sobre palafitas, no Pakaás, na margem do rio Mamoré. Se ouvia os gritos das araras e periquitos e tirava os olhos das páginas do livro, caía na minha realidade. Estava em uma sala de embarque ou em um silencioso avião, voando na madrugada.
Entre experiências sensoriais que Paulo Saldanha transmite em palavras, o livro conta a história de toda uma região, com a miscigenação cultural, os perigos, o trabalho incessante dos seringueiros, o isolamento, as pressões que os homens e mulheres sofriam em uma região inóspita e distante.
A história que permeia todo o drama inicia com o casamento de descendente de imigrante alemão e uma descendente de imigrante italiano com uma nordestina. Depois de muitas aventuras chegam à Amazônia, nas margens do rio Madeira.
Paralelo à vida da família Kaufmann, o leitor viaja pelos fatos que aconteceram na região e no mundo no período de cerca de 200 anos. Você acompanha a exploração da floresta amazônica, com a prospecção dos rios; o primeiro ciclo da borracha; o contrabando de sementes de seringueiras para a Malásia; a Guerra do Acre; o Tratado de Petrópolis; o ‘crack’ (em outro sentido, mas tão devastador quanto o atual) da Bolsa de Nova Iorque; a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais, a Revolução Industrial.
Alguns fatos incidentais no livro nos são bastante conhecidos, como a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré; as escaramuças dos seringueiros com os índios; as articulações pela criação do Território Federal do Guaporé; fatos históricos e folclóricos de Guajará-Mirim; o coronel Aluízio Ferreira, Dom Rey e até o Capitão Alípio.
É por isso que não parei de ler até acabar tudo. Na prosa
guaporeana do Paulo Saldanha, a história de uma época e dos fatos – próximos ou
distantes – que se refletem no hoje. Era para ser uma resenha. Virou uma
crônica. Assim seja. Salve, Paulo!
26 de dez. de 2011
PESAR
Lamento o falecimento do Isaac Bennesby. O conheci pouco depois de eu ter chegado a Rondônia. Isaac era, para mim, o símbolo de Guajará-Mirim e ele foi punido por isso, ao asfaltar a BR-425 com recursos da prefeitura, para tirar seus munícipes do isolamento na época do inverno amazônico, teve que devolver o dinheiro tirado do seu próprio bolso.
Uma reclamação do Isaac é que as pessoas de Porto Velho iam a Guajará-Mirim e nem gastavam dinheiro com um cafézinho, sequer. "Vão gastar tudo no 'outro lado', não deixam um centavo aqui para nós". Em outra ocasião, no governo do Osvaldo Piana, um grupo de jornalistas foi convidado a acompanhar o governador em evento na "Pérola do Mamoré". Após as solenidades atravessamos para "La Banda" e fomos às compras. Um colega, após escolher um monte de tranqueira foi pagar com cheque do Beron (Banco do Estado de Rondônia, para quem não lembra). O boliviano recusou o pagamento aos gritos:
- Cheque de trenzinho, no! De trenzinho, no! (Havia a foto de uma locomotiva, em marca d'água, nas folhas dos cheques)
Isaac Bennesby estava junto com o grupo e falou ao comerciante:
- Pode receber, pode receber...
- Mas, Don Isaac, é cheque do trenzinho...
- Pode receber, eu garanto. E tudo acabou bem.
À familia do Don Isaac, o meu abraço. Guajará-Mirim perdeu um grande homem. Um defensor do município.
Uma reclamação do Isaac é que as pessoas de Porto Velho iam a Guajará-Mirim e nem gastavam dinheiro com um cafézinho, sequer. "Vão gastar tudo no 'outro lado', não deixam um centavo aqui para nós". Em outra ocasião, no governo do Osvaldo Piana, um grupo de jornalistas foi convidado a acompanhar o governador em evento na "Pérola do Mamoré". Após as solenidades atravessamos para "La Banda" e fomos às compras. Um colega, após escolher um monte de tranqueira foi pagar com cheque do Beron (Banco do Estado de Rondônia, para quem não lembra). O boliviano recusou o pagamento aos gritos:
- Cheque de trenzinho, no! De trenzinho, no! (Havia a foto de uma locomotiva, em marca d'água, nas folhas dos cheques)
Isaac Bennesby estava junto com o grupo e falou ao comerciante:
- Pode receber, pode receber...
- Mas, Don Isaac, é cheque do trenzinho...
- Pode receber, eu garanto. E tudo acabou bem.
À familia do Don Isaac, o meu abraço. Guajará-Mirim perdeu um grande homem. Um defensor do município.
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