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21 de set. de 2010
MISSA
Familiares e amigos da jornalista Fátima Alves convidam para a Missa de 7º dia de falecimento. A cerimônia será celebrada hoje, logo mais às 18hs, na Catedral Sagrado Coração de Jesus.
20 de set. de 2010
BOAS RECORDAÇÕES
A Fatinha foi embora na semana passada. Restam boas recordações. Vou contar duas.
O ano era 1998. Estávamos na Secretaria de Comunicação e a Fátima Alves foi à minha sala pedir para chegar atrasada no dia seguinte.
- Preciso fazer uns exames.
- Sem problemas. Como vai chamar?
- Quem, homem?
- O bebê. Você está grávida.
- Deus me livre! E bateu na madeira da mesa, falou um 'T'sconjuro' e saiu rindo e falando que eu era doido.
Na hora do almoço fui a uma loja que vendia artigos infantis e comprei um par de sapatinhos de tricô verdes, pedi para embrulhar para presente e guardei na gaveta.
Dois dias depois a Fatinha chegou com a carinha meio triste e falou:
- Você acertou. Estou grávida.
Levantei para dar os parabéns e entreguei o presente.
- Meu bichinho, você é fogo.
Outra.
A equipe da Secom foi cobrir a agenda do governador em Alvorada do Oeste (a 466 km da capital). Após o evento, passou na feira para comprar feijão, farinha e outras coisas. A Fatinha comprou uma galinha viva e a colocou na carroceria da caminhonete. Com medo que a ave fugisse, a colocaram embaixo de uma bacia, comprada por outro colega. E a viagem prosseguiu, parando em Médici, Ji-Paraná, Ariquemes e... Itapoã. Aí lembraram da galinha, que estava desde cedo embaixo da bacia sem água e sob um sol escaldante.
Como não poderia deixar de ser, a galinha já estava desfalecida e quase cozida. Abriram-lhe o bico e jogaram água; fizeram 'simpatia': colocaram a galinha de novo embaixo da bacia e deram três batidinhas no fundo. Nada. Entre risos e a frustração da Fatinha por perder o dinheiro e o almoço do dia seguinte, a galinha morta precocemente foi deixada em uma lata de lixo do posto de gasolina.
Esta história rendeu várias versões, mas esta é a que mais se aproxima da verdadeira. (Foto Ney Lopes/Arte Allan Lima)
16 de set. de 2010
ADEUS, MEU BICHINHO
O tempo em que estou em Rondônia é o tempo que conheci a jornalista Fátima Alves. Chegamos com poucos dias de diferença. Ela, vindo da Paraíba junto com a Edineide Arruda, e eu, vindo de Minas Gerais. Fomos trabalhar juntos no Decom, onde fiquei até novembro de 86, passando, então, para a TV Educativa. No governo seguinte, Jerônimo Santana, voltamos a nos unir na recém- criada Secretaria Extraordinária de Comunicação, que de 'extraordinária' só tinha o secretário, Ascânio Seleme, que se achava. A Fátima exerceu a chefia de Gabinete. Fui em outro rumo, mas sempre que nos víamos eram abraços sinceros de amizade. "Olha o meu bichinho, como está bonito!", ela exagerava.Anos depois, ao voltar para Rondônia, trabalhando em lugares diferentes só nos viámos pelas ruas, em eventos. A alegria dos encontros permaneceu sempre a mesma. No governo Bianco, tive o prazer de retribuir a generosidade, indicando-a para a Assessoria de Imprensa da Faser. O cargo parecia ter sido reservado para ela. Foram muitas ações - fora da área de AI - que a Fátima realizou.
Acompanhei de longe a trajetória da Fatinha na assessoria da Prefeitura e sabia o que estava sofrendo. O jogo é bruto. E ela foi vítima desta brutalidade.
Eu a vi recentemente - talvez semanas antes de ser internada. Fui à Coordenadoria de Comunicação levar alguma coisa e a encontrei. Estava ao telefone e joguei um beijo de longe. Ele pediu um tempo ao interlocutor, levantou-se e me deu mais um daqueles abraços e a frase que me animava: "Olha o meu bichinho! Como tá bonito!".
Meu bichinho, você que é uma das pessoas mais bonitas que já conheci. Felizmente tive a oportunidade de dizer isso a você ainda em vida. Ficam as saudades dos momentos de pressão; de contrariedade (reescrever texto é chato, reconheço, mas é necessário); de cansaço - ô estado grande, esta Rondônia; das conversas sem pé nem cabeça nas intermináveis estradas de poeira; da cerveja bebida com gosto, pois o dinheiro era pouco e só dava para uma ou duas; e do seu sorriso, das suas gargalhadas na redação; da suas defesas ao PT e, intransigentemente, à mulher.
Vai descansar meu bichinho. Rezamos por você.
(Na foto, Fatinha me entrevista)
(Na foto, Fatinha me entrevista)
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