Um abraço aos colegas que mantêm vivo o querido jornal "Alto Madeira", nessa resistência histórica e inglória. Aos proprietários, seu Euro e seu Luiz Tourinho, o meu reconhecimento por acreditarem no projeto do jornal e na meta de atingir o centenário.
Cá para nós, ô data longe de chegar!
Sempre repito a grande escola que foi para mim ter trabalhado curtos dois anos no Alto Madeira, 1992/93. Nossa equipe era boa e produtiva, sob orientação do Paulinho Correia, do Rodrigo Bonfim e do Ivan Marrocos. Eu era da editoria de Cidade, mas circulava também na Política, quando o Lúcio Albuquerque convidava para fazer "bastidores" de algum evento, como eleição, convenção, ou entrevistas com pioneiros de Porto Velho e Rondônia.
Espero poder, também, comemorar os 100 anos do grande jornal.
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15 de abr. de 2015
29 de jan. de 2015
O REPÓRTER E O BISPO
Quando li a notícia sobre a morte de D. José, voltei no tempo.
No início dos anos 1990, centenas de menores viviam nas ruas de Porto Velho, furtando, roubando ou simplesmente andando de um lado para outro em busca de comida e de um lugar para dormir. Praticamente sob toda marquise havia três, quatro meninos dormindo em caixas de papelão. A praça Getúlio Vargas era o local de encontro deles, não sei o motivo (um foi morto nos porões do Palácio Presidente Vargas, mas aí é outra história).
Paulinho Correia, editor de "Cidade" do Alto Madeira, preparou então pauta para uma "ampla reportagem", como dizem hoje. Eu fui encarregado por esta matéria especial, que previa ouvir Dom João Batista Costa, que estava bem velhinho e morava em um apartamento no Colégio Dom Bosco. Para falar com ele precisava da autorização do Dom José. Fui bater à porta do Arcebispado, que funcionava na rua Gonçalves Dias, no antigo "Seminário Maior São José".
Pelo interfone me identifiquei e, pouco depois, abre a porta um furioso bispo, que mal ouviu o que eu queria dizer. Foi logo falando: "Dom João está isolado e não sabe de nada que acontece aqui!
- O senhor pode falar, então, sobre esse assunto?
- Vocês [jornalistas] pensam o quê? Por que eu sou bispo, tenho que estar à disposição de vocês, a hora que quiserem? Eu tenho agenda a cumprir. Eu sou um homem público, como o governador e o prefeito. Para falar com eles, não é preciso marcar audiência?" E bateu a porta na minha cara.
Juro por Deus, naquele dia os alicerces da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana sofreram um baque dentro de mim. Cumpri o restante da pauta e narrei este episódio no meu relatório ao editor.
Poucos dias depois, Dom José convocou uma entrevista coletiva - destas que acontecem até hoje -, avisando uma hora antes. O Paulinho Correia fez questão de ir só para dizer ao Dom José que os veículos de comunicação têm agendas, não é só ligar para a redação e chamar para uma entrevista...
Ele entendeu o recado.
No início dos anos 1990, centenas de menores viviam nas ruas de Porto Velho, furtando, roubando ou simplesmente andando de um lado para outro em busca de comida e de um lugar para dormir. Praticamente sob toda marquise havia três, quatro meninos dormindo em caixas de papelão. A praça Getúlio Vargas era o local de encontro deles, não sei o motivo (um foi morto nos porões do Palácio Presidente Vargas, mas aí é outra história).
Paulinho Correia, editor de "Cidade" do Alto Madeira, preparou então pauta para uma "ampla reportagem", como dizem hoje. Eu fui encarregado por esta matéria especial, que previa ouvir Dom João Batista Costa, que estava bem velhinho e morava em um apartamento no Colégio Dom Bosco. Para falar com ele precisava da autorização do Dom José. Fui bater à porta do Arcebispado, que funcionava na rua Gonçalves Dias, no antigo "Seminário Maior São José".
Pelo interfone me identifiquei e, pouco depois, abre a porta um furioso bispo, que mal ouviu o que eu queria dizer. Foi logo falando: "Dom João está isolado e não sabe de nada que acontece aqui!
- O senhor pode falar, então, sobre esse assunto?
- Vocês [jornalistas] pensam o quê? Por que eu sou bispo, tenho que estar à disposição de vocês, a hora que quiserem? Eu tenho agenda a cumprir. Eu sou um homem público, como o governador e o prefeito. Para falar com eles, não é preciso marcar audiência?" E bateu a porta na minha cara.
Juro por Deus, naquele dia os alicerces da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana sofreram um baque dentro de mim. Cumpri o restante da pauta e narrei este episódio no meu relatório ao editor.
Poucos dias depois, Dom José convocou uma entrevista coletiva - destas que acontecem até hoje -, avisando uma hora antes. O Paulinho Correia fez questão de ir só para dizer ao Dom José que os veículos de comunicação têm agendas, não é só ligar para a redação e chamar para uma entrevista...
Ele entendeu o recado.
6 de fev. de 2010
QUEM NÃO GOSTA DE SAMBA...
A Mar escreveu e o Chico Lemos publicou no Gente de Opinião uma dica para quem, como nós três, não é chegado ao "tríduo momesco". Enquanto a Mar escrevia, lembrei-me de quando trabalhei no Alto Madeira. O assunto carnaval estava comigo e a pauta do Paulinho Correia, editor de Cidade, era "continua Zé". Não tinha mais o que dizer, já tinha falado da programação oficial, dos clubes, da Banda do Vai Quem Quer... Aí resolvi legislar em causa própria.
Escrevi uma página - mais ou menos seis mil caracteres (naquele tempo era máquina de datilografia, mas o esforço era o mesmo) - com dicas para quem não gosta de carnaval. Tinha de tudo: retiros católicos e evangélicos, cinema, filmes a serem locados, hotéis-fazenda...
A reportagem era aberta com uma frase do Manelão, a quem entrevistei e perguntei: - Quem não gosta de carnaval vai para onde?
- Para o hospício!
Foi sucesso. O Paulinho recebeu um telefonema no jornal que para mim representou o "Prêmio Esso":
- Vocês são nojentos!
Escrevi uma página - mais ou menos seis mil caracteres (naquele tempo era máquina de datilografia, mas o esforço era o mesmo) - com dicas para quem não gosta de carnaval. Tinha de tudo: retiros católicos e evangélicos, cinema, filmes a serem locados, hotéis-fazenda...
A reportagem era aberta com uma frase do Manelão, a quem entrevistei e perguntei: - Quem não gosta de carnaval vai para onde?
- Para o hospício!
Foi sucesso. O Paulinho recebeu um telefonema no jornal que para mim representou o "Prêmio Esso":
- Vocês são nojentos!
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