Há 48 anos, criança pequena em Teófilo Otoni, no nordeste de Minas Gerais, eu faltava à aula, obedecendo ordem do meu padrinho Marinho, comandante do destacamento da Polícia Militar, que cedo passou na casa na minha avó, ao lado do quartel, e disse: "Não deixem Neném sair de casa. O Brasil está em guerra".
Passei os próximos dias vendo, da janela, caminhões da PM mineira e do Exército transportando tropas de um lado para outro. De noite, em casa, meu pai contava sobre as prisões de colegas dele na Estrada de Ferro Bahia e Minas. Na época, os ferroviários eram uma das categorias profissionais mais politizadas e organizadas do país e foram os que mais sofreram. Os salários, por exemplo, são miseráveis até hoje, no que resta das ferrovias.
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31 de mar. de 2012
25 de ago. de 2010
DIA DO SAIO
Ontem lembrei o suicídio de Getúlio Vargas. Hoje recordo a renúncia de Jânio Quadros, em 1961. Em 1960 fugi da casa de minha avó e fui espiar o comício dele em Teófilo Otoni. Quase apanho, não por ter fugido, mas por ter ido "prestigiar" Jânio Quadros, já que o candidato da família para a presidência da República era o general Henrique Teixeira Lott. Nas eleições a "vassoura", símbolo do Jânio, venceu a "espada" do Lott. O Jânio não batia bem, renunciou e três anos depois os militares deram o golpe que durou vinte anos. (Foto Erno Schneider)
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