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31 de mar. de 2015

DÉJÀ VU*

Há 51 anos era deflagrada a revolução militar, que durante 21 anos governou o Brasil. Para uns foi muito bom, para outros o chamado "anos de chumbo", pois unanimidade só existe na Assembleia Legislativa de Rondônia.

Tivemos muitos avanços neste período, mas algumas destas iniciativas provocaram efeitos colaterais que até hoje causam problemas. Estou falando sob o ponto de vista ambiental. Sobre Direitos Humanos e Economia há tratados acadêmicos para todo lado. Entre os problemas a que me referia, as construções das hidrelétricas Itaipu, Balbina e Samuel, para citar três, além das nucleares, também conhecidas como "vaga-lumes"; nos transportes, a Transamazônica, a ponte Rio-Niterói, a Ferrovia do Aço e muito mais.

Hoje há uma tendência (não sei se é tendência) nostálgica de volta àqueles anos pesados. Muitos que pedem a intervenção, tem saudades daquilo que não conheceram.

* Já visto.

16 de set. de 2014

PESAR

Lamento a morte trágica do professor de História Emmanuel Gomes, ocorrida hoje em Vilhena. Ele foi professor dos meus filhos no Colégio Classe A. Lembro dele ter-me convidado para assistir a uma aula sobre História Regional, que seria ministrada em um dos barcos que fazia o passeio da Madeira-Mamoré à cachoeira de Santo Antônio (barco Cmt. Ribeiro), no rio Madeira. Aceitei e fui ouvindo as explicações rio acima.
Quando bordeávamos a ilha do Presídio, o professor Emmanuel disse que ali havia uma cadeia para presos políticos, encarcerados pela Revolução de 1964. Citou entre aqueles detidos ali o jornalista Paulo Queiroz.
Achei estranho, pois tinha trabalhado com o Paulo e ele me contou porque veio para Rondônia, escapando do movimento armado anti-ditadura, que tinha tentado cooptá-lo (depois conto esta história), mas nada de prisão. Telefonei para ele, que respondeu assim: "Caboco, o mais perto de penitenciária que cheguei, foi quando minha mulher foi diretora de uma". Pronto. O presídio da ilha de Santo Antônio despertou meu interesse.
Mas foi só em 2005, quando eu morava em Brasília, que a Nilza Menezes lançou um livro sobre o presídio da ilha, mostrando quem eram os hóspedes do lugar. Depois conversando com outras pessoas, soube que os poucos presos políticos de 64 ficaram trancafiados onde hoje é o comando da 17a. Brigada.
Não acreditei mais no professor Emmanuel.

2 de abr. de 2014

É CADA UMA...

Recebo sugestão de pauta sobre uma "invasão de policiais federais" ao aeroporto Governador Jorge Teixeira. Estarão portando uma elefante branco, "que simboliza a ineficiência do inquérito policial". Aliás, o elefante branco pode representar um monte de coisas em nosso país, como as obras da copa, o próprio aeroporto Jorge Teixeira, a ressurreição da revolução de 64 e muitas outras bobagens.

28 de mar. de 2014

SUGESTÃO DE LEITURA

Às vésperas dos 50 anos do golpe militar, o assunto volta a ser a revolução de 64. E o tema se desdobra nos contra e a favor do regime militar e tem muita gente falando besteira. Sugiro a leitura do artigo "Não foi bem assim como dizem hoje", do jornalista Carlos Chagas, que reproduzo abaixo:


NÃO FOI BEM ASSIM COMO DIZEM HOJE


Carlos  Chagas
CARLOS CHAGAS
Os militares cometeram erros execráveis. Mas também contribuíram para o milagre que é a preservação da unidade nacional
Hoje, 50 anos depois, prevalece a falsa impressão de que a partir do 31 de março de 1964 o Brasil insurgiu-se por inteiro contra o golpe militar. Agora, todo mundo diz ter sido da resistência, todo mundo lutou contra a ditadura, todos arriscaram suas vidas.
Não foi nada disso. Depois da tomada do poder pelas Forças Armadas, a imensa maioria da população acomodou-se e até aplaudiu. O país continuou vivendo, cada um preocupado com seus problemas, até que com o passar dos anos e os excessos praticados pelo regime, bem como seu esgotamento, a tendência nacional posicionou-se contra.
Nos meses anteriores ao 31 de março de 1964 os ânimos estavam exaltados, dividido o país em dois grupos minoritários, mas em crescimento. De um lado, as esquerdas que imaginavam mudar tudo por meio de reformas, senão adotando as teorias marxistas, ao menos aproximando-se do modelo socialista.
Também havia nesse grupo heterogêneo os partidários da ditadura do proletariado, que sustentavam a ruptura das instituições vigentes e a adoção de um violento sistema de governo, supressor das liberdades.
Do outro lado, situava-se um grupo de empedernidos defensores de seus privilégios, infensos a mudanças, que, sem coragem de opor-se às reformas, levantavam a bandeira do combate ao comunismo, aliás sem o menor lugar na realidade nacional.
Tudo era absorvível pela maioria, que igualmente desprezava os dois extremos, até a hora em que os ânimos se acirraram, possivelmente um com medo do outro, ou ambos buscando aproveitar-se do adversário.
O presidente João Goulart era herdeiro de Getúlio Vargas, promotor das maiores reformas sociais e econômicas verificadas em nossa história, com os direitos trabalhistas e a industrialização, ainda que por muitos anos tivesse sido patrono do retrocesso político, com o Estado Novo, ditadura declarada.
Jango entendia dever avançar na esteira de Vargas, mas acabou, como ele, sufocado pelos que o acusavam de ser candidato a ditador. A ênfase para a distorção era dada pelo empresariado, parte das Forças Armadas, mais da metade do Congresso e a totalidade da igreja. De outro lado, posicionavam-se intelectuais afoitos partidários da transformação radical, mais sindicalistas e camponeses desesperados, presas fáceis de exploradores.
Apesar de conciliador, grande proprietário de terras, o presidente ficou com as reformas, cada vez mais agressivas, despertando seus contrários. Tentou fazê-las todas de uma vez e aí quebrou a cara.
Impossível não referir o papel das elites conservadoras, melhor organizadas. Atuavam junto à maioria situada entre os dois extremos, cooptando-a com ameaças contra sua precária estabilidade. Mobilizavam a maioria da imprensa, cujos barões delas faziam parte, e assustavam os militares e a igreja.
Armava-se o palco para o confronto que apenas retoricamente indicava o equilíbrio de forças. Os favoráveis às reformas faziam espuma e fumaça, mas não dispunham de mecanismos para impor o seu modelo. Como sempre, as classes trabalhadoras permaneciam à margem, carecendo de vontade e meios.
Inoculada pela propaganda contra as reformas, bem como receosa de mudanças, a classe média não se insurgiu contra o golpe militar. Até o apoiou, inicialmente.
Por isso se ousa contradizer o sentimento que hoje grassa na maior parte dos jovens que agora se ufanam de haver lutado contra a ditadura, metade deles que nem havia nascido em 1964: não foi nada disso! A sociedade acomodou-se, pouco lamentou a queda de Goulart e bateu palmas para o general Castello Branco e depois para o general Garrastazu Médici. Só aos poucos, com a truculência, o arbítrio, a tortura e a censura, é que se fez sentir o repúdio ao regime militar.
O mundo não está dividido entre mocinhos e bandidos, mesmo que muitos sejam mais bandidos do que mocinhos. Apesar de tudo, o Brasil continua. Os militares cometeram erros grotescos. Execráveis. Mas também contribuíram para esse verdadeiro milagre que é a preservação da unidade nacional. Eles e quantos existiram antes e quantos vieram e virão depois.

26 de mar. de 2014

O DITADOR E AS LIBÉLULAS

Esta foto irritou o general Costa e Silva, então presidente do Brasil. O fotógrafo, Evandro Teixeira, do Jornal do Brasil, teve que passar a noite no Palácio Laranjeiras, "de castigo". Saiba mais sobre como era ser jornalista na época, no Portal Terra. (Foto Evandro Teixeira)

31 de mar. de 2012

31 DE MARÇO

Há 48 anos, criança pequena em Teófilo Otoni, no nordeste de Minas Gerais, eu faltava à aula, obedecendo ordem do meu padrinho Marinho, comandante do destacamento da Polícia Militar, que cedo passou na casa na minha avó, ao lado do quartel, e disse: "Não deixem Neném sair de casa. O Brasil está em guerra".
Passei os próximos dias vendo, da janela, caminhões da PM mineira e do Exército transportando tropas de um lado para outro. De noite, em casa, meu pai contava sobre as prisões de colegas dele na Estrada de Ferro Bahia e Minas. Na época, os ferroviários eram uma das categorias profissionais mais politizadas e organizadas do país e foram os que mais sofreram. Os salários, por exemplo, são miseráveis até hoje, no que resta das ferrovias.

20 de mar. de 2012

ALMINO E A DEMOCRACIA

A Academia de Letras de Rondônia (Acler), promove logo mais às 19hs30, palestra sobre "O Momento Político do Brasil", a ser proferida pelo humaitaense Almino Monteiro Álvares Afonso, que foi empossado ontem na cadeira 33 da Academia. O evento será no auditório da OAB, na rua Paulo Leal, 1300, bairro Nossa Senhora das Graças.
Almino passou a infância em Porto Velho, onde o pai dele, Bohemundo Afonso, foi prefeito. Com formação em Direito, Almino Afonso foi deputado federal por São Paulo, ministro do Trabalho do presidente Jango Goulart, quando se exilou por causa do golpe de 64, tendo retornado ao Brasil 12 anos depois. Foi vice-governador na administração Orestes Quércia (1987-1991), deputado federal e fez parte do Conselho da República no governo Lula.
Em 1989 eu acompanhava o então vice-governador de Rondônia Orestes Muniz, no III Encontro de Vice-Governadores, realizado em Manaus. No dia 1º de abril encontrei Almino Afonso no café da manhã. Solicitei e consegui uma entrevista com ele, que falou sobre o 25º aniversário da revolução. O texto foi publicado na edição de 4 de abril de 1989  no jornal "O Guaporé". Fac-símile abaixo.





5 de jan. de 2012

A MALDADE HUMANA

Não estava em nosso roteiro, mas visitamos a "Mostra Internacional" de  Instrumentos Medievais de Tortura. O local da exposição, por si, já era uma tortura. Um corredor estreito, abafado e com cheiro de mofo. Ao sentir o "clima" do ambiente, a Mar passou mal.
 Cartaz da Mostra
 Sentar nesta cadeira, nem pensar. (Fotos JCarlos)
 Instrumentos de açoite.
A "noiva" ou "virgem" de Nuremberg. A criatura era colocada nesse sarcófago e trespassada por lâminas.
Mesa para "esticar" os suspeitos. (Fotos Marcela Ximenes)
Expliquei - para acalmar a Mar - que estes instrumentos foram "aperfeiçoados" por norte-americanos e brasileiros e usados para conseguir confissões durante o regime militar de 1964/1985.

20 de nov. de 2010

MAL COMPARANDO

Na minha adolescência cogitei ir para a luta armada. Fui recusado por ser "dimenor". Com a maturidade e o distanciamento temporal e histórico daqueles dias quentes do início da década de 1970, vejo que não "tomaríamos" nem a 'República do Peru', uma famosa república de estudantes, existente até hoje em Ouro Preto (MG).
A Folha publicou hoje o arsenal da organização VAL-Palmares, da qual a presidente eleita Dilma Rousseff fazia parte: "Entre os armamentos, havia 58 fuzis Mauser, 4 metralhadoras Ina, 2 revólveres, 3 carabinas, 3 latas de pólvora, 10 bombas de efeito moral, 100 gramas de clorofórmio, 1 rojão de fabricação caseira, 4 latas de "dinamite granulada" e 30 frascos com substâncias para "confecção de matérias explosivas", como ácido nítrico. Além de caixas com centenas de munições."
O pessoal, aqui do Complexo do Alemão, não pára de rir desde que a notícia chegou no morro.

(O fuzil Mauser era sobra da Segunda Guerra Mundial, dava um tiro de cada vez; a metralhadora INA, também da 2ª Guerra, passou a ser fabricada no Brasil. ao contrário do fuzil Mauser, atirava em rajadas descontroladas)