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27 de mar. de 2015

BR-425 SOLUÇÃO E PROBLEMA

Lendo a coluna "Opinião de Primeira", do Sérgio Pires hoje, onde ele fala do abandono de Guajará-Mirim e das péssimas condições da BR-425, tenho que concordar quando afirma que a região só é lembrada na temporada de caça aos votos. Depois disso, na entressafra, os políticos eleitos desaparecem. Estou falando de uma forma geral.

Fiquei pensando no acesso até aquela cidade. A BR-425 nasceu da extinção da Ferrovia Madeira-Mamoré. O 5º BEC veio para Rondônia em 1966 com a missão de construir uma estrada rodoviária para impedir que as pessoas que moravam ao longo e no terminal da antiga estrada de ferro, e mais o Acre, não ficassem isoladas. O trabalho foi sendo feito paulatinamente e nunca acabou.

As pontes de ferro, que foram trazidas dos Estados Unidos, deveriam ter sido substituídas, há muito, por outras de concreto, o que só aconteceu na BR-364, entre Porto Velho e Abunã. Estas também demoraram muito para ficar prontas. As pontes previstas para o trecho BR-364 - Guajará-Mirim não foram todas construídas. Até hoje usamos as pontes ferroviárias sobre o rio Araras e sobre o Ribeirão, tendo ao lado delas os esqueletos das pilastras que sustentariam as natimortas pontes.

Lembro-me, ao chegar aqui, ouvir histórias sobre os comboios que o governo do Território e depois do Estado formava para levar comida, água potável e combustível para as populações de Guajará-Mirim e outras localidades ao longo do antigo traçado.

À esquerda traçado origina; no outro mapa o atual. Mudança sutil
(Mapas GuiaGeo e MTRans)

A rodovia ficou pronta, seguindo praticamente o mesmo caminho da EFMM, derivando da 364, a poucos metros da vila de Abunã. Já na passagem dos anos 80 para 90, foi decidido pelo Governo Federal uma alteração no traçado da BR-425, que começaria alguns quilômetros antes do local original, reduzindo a distância até Guajará-Mirim. A rodovia foi asfaltada pelo prefeito Isaac  Bennesby, com recursos municipais. O Tribunal de Contas meteu um processo nele, que foi obrigado a devolver o dinheiro gasto e a pagar uma multa imensa. Tudo do próprio bolso,

Eu estava perto quando o então governador Jerônimo Santana comentou sobre esse assunto: "Falei pro general, a estrada vai dar num pântano. Ele insistiu na ideia, então deixei prá lá". E a estrada não fica pronta, é como se o pântano do Jerônimo sugasse todos os esforços para concluir a rodovia. Ô boca, Jerônimo, ô boca!

9 de jan. de 2015

PÉ FRIO?

Há algum tempo os garimpeiros estão voltando paulatinamente a trabalhar no trecho do rio Madeira, entre a cachoeira de Santo Antônio e a foz do igarapé Cuniã. A garimpagem neste trecho do rio foi proibida quando da promulgação da Lei Estadual nº 5.124, de 06/06/91, quando era governador do Estado o médico Osvaldo Piana e o secretário de Desenvolvimento Ambiental, o ambientalista (até no nome) Chico Natureza.

Com a "Operação Aluvião", realizada na manhã de hoje, já são duas tentativas da retirada dos garimpeiros da área. A operação anterior foi realizada pela Polícia Federal dia 5 de dezembro de 2014.

Esta situação não é  novidade. Quem navega pelas águas barrentas do rio Madeira encontra balsas e dragas desde Abunã até Calama. Nos últimos meses a garimpagem aumentou em muito nas proximidades de Porto Velho, com denúncia permanente de órgãos da Imprensa caripuna.
(Fotos JCarlos)
No decorrer da semana, em rilise distribuído pelo Decom, soubemos que o vice governador Daniel Pereira recebeu uma comissão de garimpeiros e teria prometido apoio ao pleito de legalização do garimpo entre o Cai N'Água e a localidade de Belmont, no Baixo Madeira. Isso foi no dia 5, segunda-feira.

Ontem, dia 8, em outro rilise, do mesmo Decom, representante da Sedam alertava para a ilegalidade da atividade garimpeira no trecho do rio Madeira. E hoje, uma operação foi deflagrada com a apreensão de balsas e dragas e a aplicação de multas.

O "pé frio" do título é do vice-governador Daniel Pereira ou seriam os garimpeiros?

8 de ago. de 2013

CAMPANHA QUE NÃO PEGA

Há anos o poder público vem tentando resolver o problema das queimadas nesta época de verão amazônico. As queimadas rurais reduziram bastante, se comparadas àquelas que ocorriam no final da década de 1980 e início de 90, mas as queimadas urbanas persistem.
Cá para nós, os argumentos que estão sendo usados nas duas campanhas que vi - da Sema e da Eletrobras - são sofríveis, risíveis (viram o vídeo com o menino "quase" morrendo?).
Então a situação está assim, na BR-364, em Abunã e na travessia da balsa (Fotos Cléris Muniz / Ag. Imagem News)



Margem da BR-364, na entrada de Candeias do Jamari (Fotos JCarlos)




Banner da campanha. Criatividade que esgota em si mesma

11 de jul. de 2013

ABUNÃ TAMBÉM PROTESTA

Manifestação em Abunã na tarde de ontem (Imagem TV Rondônia)
A exemplo de manifestações que ocorreram espontaneamente em todo Brasil nas últimas semanas, a população do distrito de Abunã, a 230 quilômetros de Porto Velho, também se irritou com a vida que leva.  Em sucessivas interrupções do tráfego na BR-364, na altura da localidade, desde a manhã de segunda-feira, 8. Exige torre para telefonia móvel (só usam o celular quando veem a Porto Velho), a sagrada internet nossa da cada dia, médico, mais uma ambulância, recuperação da BR-425, que liga a 364 a Guajará-Mirim, a construção da bendita ponte e os pescadores reclamam contra asuzina.
Não sei se Abunã se beneficiará com a "independência", ou melhor, com a emancipação de Extrema, quando o imbróglio for resolvido. Até lá a responsabilidade pela Educação e Saúde é da Prefeitura de Porto Velho. A segurança deve ser provida pelo Estado, enquanto a telefonia celular e internet cabem articulações do Legislativo e Executivo junto às concessionárias dos serviços.
Após a reportagem, a apresentadora transmite informação do secretário adjunto municipal de Saúde de que somente um novo concurso público irá solucionar o problema. Sobre a articulação do Executivo e Legislativo, que sugeri, bem... deixa prá lá.
O prefeito Mauro Nazif já se declarou favorável à emancipação dos distritos de Extrema (Ponta do Abunã) e Calama, por razões óbvias. Ambos estão localizados em pontos extremos do município de Porto Velho, o que dificulta o atendimento da Prefeitura, que mal dá conta da sede.

15 de mar. de 2011

DICA DE EVENTO

Nesta quarta-feira, 16, lançamento para convidados do documentário "Filhos do Abunã", que foi rodado nas duas últimas edições do Projeto Socio-Ambiental "Verão Limpo", que acontece anualmente em alguns distritos de Porto Velho. A exibição será às 10hs30, na sala 05, do Cine Araújo, no Porto Velho Shopping. Fico devendo a ficha técnica do trabalho.