Era para ter comentado, mas ainda dá tempo. Pelo menos por quatro dias cidade de Ji-Paraná será a capital administrativa de Rondônia, quando o governador Confúcio Moura vai instalar o seu gabinete de despachos em um dos estandes da "Rondônia Rural Show", que chega na sua quarta edição. Decreto neste sentido foi publicado no Diário Oficial do dia 12.
Desta vez a transferência da capital de Porto Velho para Ji-Paraná não provocou protestos por parte de puristas. Talvez pela transitoriedade da mudança. Ainda lembro de ideia semelhante - porém de caráter definitivo - que o governador Jerônimo Santana (*1934 +2014) teve, justificando que era difícil administrar Rondônia desde Porto Velho, que fica no extremo norte do Estado.
Na ocasião, a área estudada para abrigar a capital ficava na região de Urupá, mas a ação rápida dos deputados da oposição (quase todos eram, mas isso é outra história) impediram que o intento lograsse êxito, como dizem lá na AI da PC...
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21 de mai. de 2015
23 de abr. de 2015
DO PASSADO
(Foto Decom/Reprodução Alto Madeira)
Este evento ficou na minha mente por que eu não entendia, na época, a homenagem a uma pessoa que ainda estava viva, no caso a dona Nazaré da Cabeça Branca. Soube, então, a importância dela na história do PMDB, desde a fundação do MDB em Rondônia e como gostam de falar hoje, "na resistência ao regime militar", já que o Território de Rondônia era governado por coronéis do Exercito (Amapá era da Marinha e Roraima, da Aeronáutica).
Na foto, em primeiro plano, o secretário de Obras, Carlos Roberto Duarte, dona Nazaré Cabeça Branca (lá atrás, mais perto do góvi, José, ou João, Albuquerque, secretário de Educação) e o governador Jerônimo Santana
27 de mar. de 2015
BR-425 SOLUÇÃO E PROBLEMA
Lendo a coluna "Opinião de Primeira", do Sérgio Pires hoje, onde ele fala do abandono de Guajará-Mirim e das péssimas condições da BR-425, tenho que concordar quando afirma que a região só é lembrada na temporada de caça aos votos. Depois disso, na entressafra, os políticos eleitos desaparecem. Estou falando de uma forma geral.
Fiquei pensando no acesso até aquela cidade. A BR-425 nasceu da extinção da Ferrovia Madeira-Mamoré. O 5º BEC veio para Rondônia em 1966 com a missão de construir uma estrada rodoviária para impedir que as pessoas que moravam ao longo e no terminal da antiga estrada de ferro, e mais o Acre, não ficassem isoladas. O trabalho foi sendo feito paulatinamente e nunca acabou.
As pontes de ferro, que foram trazidas dos Estados Unidos, deveriam ter sido substituídas, há muito, por outras de concreto, o que só aconteceu na BR-364, entre Porto Velho e Abunã. Estas também demoraram muito para ficar prontas. As pontes previstas para o trecho BR-364 - Guajará-Mirim não foram todas construídas. Até hoje usamos as pontes ferroviárias sobre o rio Araras e sobre o Ribeirão, tendo ao lado delas os esqueletos das pilastras que sustentariam as natimortas pontes.
Lembro-me, ao chegar aqui, ouvir histórias sobre os comboios que o governo do Território e depois do Estado formava para levar comida, água potável e combustível para as populações de Guajará-Mirim e outras localidades ao longo do antigo traçado.
A rodovia ficou pronta, seguindo praticamente o mesmo caminho da EFMM, derivando da 364, a poucos metros da vila de Abunã. Já na passagem dos anos 80 para 90, foi decidido pelo Governo Federal uma alteração no traçado da BR-425, que começaria alguns quilômetros antes do local original, reduzindo a distância até Guajará-Mirim. A rodovia foi asfaltada pelo prefeito Isaac Bennesby, com recursos municipais. O Tribunal de Contas meteu um processo nele, que foi obrigado a devolver o dinheiro gasto e a pagar uma multa imensa. Tudo do próprio bolso,
Eu estava perto quando o então governador Jerônimo Santana comentou sobre esse assunto: "Falei pro general, a estrada vai dar num pântano. Ele insistiu na ideia, então deixei prá lá". E a estrada não fica pronta, é como se o pântano do Jerônimo sugasse todos os esforços para concluir a rodovia. Ô boca, Jerônimo, ô boca!
Fiquei pensando no acesso até aquela cidade. A BR-425 nasceu da extinção da Ferrovia Madeira-Mamoré. O 5º BEC veio para Rondônia em 1966 com a missão de construir uma estrada rodoviária para impedir que as pessoas que moravam ao longo e no terminal da antiga estrada de ferro, e mais o Acre, não ficassem isoladas. O trabalho foi sendo feito paulatinamente e nunca acabou.
As pontes de ferro, que foram trazidas dos Estados Unidos, deveriam ter sido substituídas, há muito, por outras de concreto, o que só aconteceu na BR-364, entre Porto Velho e Abunã. Estas também demoraram muito para ficar prontas. As pontes previstas para o trecho BR-364 - Guajará-Mirim não foram todas construídas. Até hoje usamos as pontes ferroviárias sobre o rio Araras e sobre o Ribeirão, tendo ao lado delas os esqueletos das pilastras que sustentariam as natimortas pontes.
Lembro-me, ao chegar aqui, ouvir histórias sobre os comboios que o governo do Território e depois do Estado formava para levar comida, água potável e combustível para as populações de Guajará-Mirim e outras localidades ao longo do antigo traçado.
À esquerda traçado origina; no outro mapa o atual. Mudança sutil
(Mapas GuiaGeo e MTRans)
A rodovia ficou pronta, seguindo praticamente o mesmo caminho da EFMM, derivando da 364, a poucos metros da vila de Abunã. Já na passagem dos anos 80 para 90, foi decidido pelo Governo Federal uma alteração no traçado da BR-425, que começaria alguns quilômetros antes do local original, reduzindo a distância até Guajará-Mirim. A rodovia foi asfaltada pelo prefeito Isaac Bennesby, com recursos municipais. O Tribunal de Contas meteu um processo nele, que foi obrigado a devolver o dinheiro gasto e a pagar uma multa imensa. Tudo do próprio bolso,
Eu estava perto quando o então governador Jerônimo Santana comentou sobre esse assunto: "Falei pro general, a estrada vai dar num pântano. Ele insistiu na ideia, então deixei prá lá". E a estrada não fica pronta, é como se o pântano do Jerônimo sugasse todos os esforços para concluir a rodovia. Ô boca, Jerônimo, ô boca!
6 de jan. de 2015
GENTE QUE CHEGA, GENTE QUE SAI
Assumiu a Diretoria-Geral do Detran-RO o amigo José Albuquerque Cavalcante. Ele assessorava o senador Acir Gurgacz nos últimos quatro anos. Trabalhei com ele quando foi nomeado secretário-adjunto da Seduc, no governo Jerônimo Santana, quando o titular era o então vice-governador Orestes Muniz.
Desejo sucesso neste cargo que é dificil, pois o Detran é unanimidade em termos de reclamações.
NA MINHA MÁQUINA DO TEMPO
Albuquerque tomou posse na Sudeco (prédio onde funcionava o gabinete do governador, hoje Sesdec) e durante a solenidade Orestes passou mal e teve que ser internado emergencialmente. Orestes foi para o Hospital de Base, enquanto Albuquerque foi para a Seduc, onde só conhecia a mim, que acompanhei o vice-governador, quando foi fazer o convite para integrar o governo.
Para piorar a situação, o Sintero, na época presidido pelo Roberto Sobrinho, cercou o prédio da Seduc, de onde ninguém podia entrar ou sair. Manifestantes levaram um caixão de defunto (em que o morto era Jerônimo Santana) para o interior do gabinete. A minha secretária, que estava "gestante" (como ela dizia), saía da nossa sala quando o "enterro" entrava. Ela desmaiou de susto.
O féretro foi colocado na sala da secretária e os manifestantes exigiam uma audiência imediata com o secretário. Albuquerque não sabia como agir. Aconselhamos a aceitar a entrada da comissão, mas com a retirada do caixão de defunto. Depois de muita negociação a proposta foi aceita, a comissão entrou, apresentou a pauta e a vida seguiu. Neste período de licença do secretário titular, tive a oportunidade de conhecer José Albuquerque, nas longas viagens pela BR-364 conversamos muito e surgiu a amizade.
Nas férias de 2012, estávamos a Mar e eu, tomando café da manhã no "Rancho Ôpa", em Itapema - SC, e eis que surgem, para nossa surpresa, claro, José Albuquerque, dona Plantina, esposa dele, e filhos. Moradores em Rondônia se encontrando tão longe de casa.
Desejo sucesso neste cargo que é dificil, pois o Detran é unanimidade em termos de reclamações.
NA MINHA MÁQUINA DO TEMPO
Albuquerque tomou posse na Sudeco (prédio onde funcionava o gabinete do governador, hoje Sesdec) e durante a solenidade Orestes passou mal e teve que ser internado emergencialmente. Orestes foi para o Hospital de Base, enquanto Albuquerque foi para a Seduc, onde só conhecia a mim, que acompanhei o vice-governador, quando foi fazer o convite para integrar o governo.
Para piorar a situação, o Sintero, na época presidido pelo Roberto Sobrinho, cercou o prédio da Seduc, de onde ninguém podia entrar ou sair. Manifestantes levaram um caixão de defunto (em que o morto era Jerônimo Santana) para o interior do gabinete. A minha secretária, que estava "gestante" (como ela dizia), saía da nossa sala quando o "enterro" entrava. Ela desmaiou de susto.
O féretro foi colocado na sala da secretária e os manifestantes exigiam uma audiência imediata com o secretário. Albuquerque não sabia como agir. Aconselhamos a aceitar a entrada da comissão, mas com a retirada do caixão de defunto. Depois de muita negociação a proposta foi aceita, a comissão entrou, apresentou a pauta e a vida seguiu. Neste período de licença do secretário titular, tive a oportunidade de conhecer José Albuquerque, nas longas viagens pela BR-364 conversamos muito e surgiu a amizade.
Nas férias de 2012, estávamos a Mar e eu, tomando café da manhã no "Rancho Ôpa", em Itapema - SC, e eis que surgem, para nossa surpresa, claro, José Albuquerque, dona Plantina, esposa dele, e filhos. Moradores em Rondônia se encontrando tão longe de casa.
29 de out. de 2014
DO PASSADO
Lendo a nota da Assembleia Legislativa, lamentando o falecimento do ex-deputado Augusto Sérgio Carminato, lembrei-me que estávamos em plena campanha pela eleição de Jerônimo Santana para o governo de Rondônia. Em Colorado do Oeste houve um problema qualquer entre o então governador Ângelo Angelin e o deputado estadual Sérgio Carminato, "dono" daquela região eleitoral. Pelo que eu soube, a discussão foi tão intensa que Carminato passou mal.
Mais tarde, à noite, o comício seria na vizinha cidade de Cerejeiras, a 39 quilômetros de Colorado do Oeste, para onde fomos. Chegamos ao final da tarde (Comunicação e Cerimonial) e sentimos um clima tenso. No hotel, ficamos aguardando a hora do comício. Um ou outro da equipe saia para beber um refrigerante ou uma cachaça e voltava com a mesma impressão de que algo ia acontecer.
Perto da hora do comício, alguém da segurança do governador ou do candidato Jerônimo Santana, passou pelo hotel desaconselhando que fôssemos ao comício: "A P2 detectou que haverá provocações e tumultos. Se eu fosse vocês ficava aqui mesmo".
No dia seguinte soubemos que várias pessoas levando sacolas com ovos - que seriam atirados no palanque - foram interceptadas pelos policiais infiltrados na multidão e os ovos devidamente inutilizados. Consta, no folclore sobre aquela noite, que um ovo foi jogado na direção da cabeça do governador Angelin, mas o ajudante de ordens o (então) tenente Vieira o interceptou com a mão, pouco antes de atingir o alvo. (Foto escaneada do livro "Pioneiros - Ocupação Humana e Trajetória Política de Rondônia" - Francisco Matias - Editora Maia -1998)
Mais tarde, à noite, o comício seria na vizinha cidade de Cerejeiras, a 39 quilômetros de Colorado do Oeste, para onde fomos. Chegamos ao final da tarde (Comunicação e Cerimonial) e sentimos um clima tenso. No hotel, ficamos aguardando a hora do comício. Um ou outro da equipe saia para beber um refrigerante ou uma cachaça e voltava com a mesma impressão de que algo ia acontecer.
Perto da hora do comício, alguém da segurança do governador ou do candidato Jerônimo Santana, passou pelo hotel desaconselhando que fôssemos ao comício: "A P2 detectou que haverá provocações e tumultos. Se eu fosse vocês ficava aqui mesmo".
No dia seguinte soubemos que várias pessoas levando sacolas com ovos - que seriam atirados no palanque - foram interceptadas pelos policiais infiltrados na multidão e os ovos devidamente inutilizados. Consta, no folclore sobre aquela noite, que um ovo foi jogado na direção da cabeça do governador Angelin, mas o ajudante de ordens o (então) tenente Vieira o interceptou com a mão, pouco antes de atingir o alvo. (Foto escaneada do livro "Pioneiros - Ocupação Humana e Trajetória Política de Rondônia" - Francisco Matias - Editora Maia -1998)
12 de set. de 2014
VC NO G1, NO CASO EU
O portal de notícias G1 tem a sessão "VC no G1". Mas, ando no sentido contrário e lanço no Banzeiros "EU no G1". Confira:
(Reprodução JCarlos)
11 de set. de 2014
NÃO FOI ESQUECIMENTO
Leitor desse brog disse que omiti a "Gerra do Abunã" nos pôstes" sobre a morte do ex-governador Jerônimo Santana, ocorrida hoje em Brasília ou no Rio de Janeiro. Esta é uma parte da história do Estado que apenas sei por acompanhar pelos jornais e, depois, no livro do dr. Tadeu Fernandes.
Não tenho condições de opinar sobre a participação de Jerônimo no episódio. O que sei: A Ponta do Abunã vivia (vivia?!?!) abandonada por Rondônia, entregue à própria sorte. O Acre foi lá e adotou a região enjeitada.
O Governo de Rondônia esbravejou, defendendo os limites geográficos estabelecidos em 1875. Ameaçou uma guerra e a coisa foi resolvida favorável a nós, mas ruim para os moradores.
Não tenho condições de opinar sobre a participação de Jerônimo no episódio. O que sei: A Ponta do Abunã vivia (vivia?!?!) abandonada por Rondônia, entregue à própria sorte. O Acre foi lá e adotou a região enjeitada.
O Governo de Rondônia esbravejou, defendendo os limites geográficos estabelecidos em 1875. Ameaçou uma guerra e a coisa foi resolvida favorável a nós, mas ruim para os moradores.
ONDE FOI MESMO?
Afinal, em que cidade o ex-governador Jerônimo Santana faleceu? Para seis saites de Porto Velho, foi no Rio de Janeiro; para outros dois, Brasília. O outro omitiu este detalhe.
CONTRIBUIÇÃO PARA O ESTADO DE RONDÔNIA
É inegável a contribuição de Jerônimo Santana para a criação do Estado de Rondônia e para o fortalecimento dos municípios rondonienses.
Talvez muita gente não saiba ou sabe e "se esquece" que Jerônimo Santana foi o autor do Projeto de Lei que elevava Rondônia da condição de Território para Estado. A proposta foi torpedeada pelo Palácio do Planalto, comandado pelo então presidente general João Figueiredo.
Praticamente a mesma proposta foi reapresentada pelo Executivo, aprovada e implantada.
Mas o mérito do Jerônimo não pode ser esquecido.
Além disso, Jerônimo foi o primeiro prefeito de Porto Velho eleito com o voto popular após a revolução de 1964 e o primeiro governador eleito do Estado de Rondônia. Como eu disse não é pouca coisa.
Talvez muita gente não saiba ou sabe e "se esquece" que Jerônimo Santana foi o autor do Projeto de Lei que elevava Rondônia da condição de Território para Estado. A proposta foi torpedeada pelo Palácio do Planalto, comandado pelo então presidente general João Figueiredo.
Praticamente a mesma proposta foi reapresentada pelo Executivo, aprovada e implantada.
Mas o mérito do Jerônimo não pode ser esquecido.
Além disso, Jerônimo foi o primeiro prefeito de Porto Velho eleito com o voto popular após a revolução de 1964 e o primeiro governador eleito do Estado de Rondônia. Como eu disse não é pouca coisa.
PESAR
Lamento a morte do ex-governador Jerônimo Santana, que já estava com a saúde bastante debilitada, e, nos últimos anos, o ostracismo fez com que ficasse mais crítica. Mesmo tendo ele buscado o exílio em Brasília, acusava os seus correligionários, em particular, e o povo de Rondônia, de um modo geral, de tê-lo abandonado.
Eu o conheci às vésperas das eleições de 1987, quando renunciou à Prefeitura de Porto Velho, e fui à posse de Tomás Correia. Depois, como tantos outros, entrei na campanha eleitoral, quando o então governador Ângelo Angelim mobilizou a "máquina" para eleger o Bengala, como era conhecido.
O prêmio que Angelin ganhou - após ter elegido Bengala - foi ser banido para Vilhena, não tendo sido, sequer, convidado para a inauguração do Cemetron - o Centro de Medicina Tropical de Rondônia, que já estava pronto quando Jerônimo assumiu. Todos os assessores de cargos de confiança do governo Ângelo Angelin foram exonerados no primeiro ato de governo. Isso é uma rotina. Mas não foram poupados nem aqueles que mais se dedicaram à campanha política.
Depois houve outros percalços. Jerônimo dividia o PMDB em vários clãs: O PMDB do Orestes (vice-governador), o PMDB do Amir Lando, o PMDB do Paulo Araújo e assim por diante. Dando a cada um deles o peso que acreditava valerem.
A minha convivência com ele foi grande e distante ao mesmo tempo. Eu era assessor de imprensa do vice-governador e via o governador sempre, mas ficava no papel de assessor, fazendo parte da paisagem e falando se perguntassem. Ocasionalmente cobria os colegas do Decom em algum evento ou no interior, quando não podiam ir.
A passagem mais marcante foi após a eleição que definiu o sucessor de Jerônimo, Osvaldo Piana, e antes da posse - nesta época a transmissão de poder era em março. Estava eu na Vice-Governadoria olhando para o tempo, quando a recepcionista chamou-me e passou a ligação da secretária do governador:
- José Carlos, o governador está chamando você aqui na Sudeco ("Palácio dos Despachos", que Jerônimo usava por superstição ao Palácio Getúlio Vargas, onde eu ficava).
- Está me chamando? Você tem certeza?
- Você não é o José Carlos, assessor de imprensa do vice-governador?
- Sou, mas o governador está chamando?
- Isso. Posso dizer que você está vindo?
- Pode. Estou saindo.
Cheguei esbaforido ao gabinete do governador. Não tinha guarda, recepcionista e nem a secretária dele estava lá. Todas as portas estavas abertas. Fui entrando. Da sala da secretária dava para ver, na outra sala, uma ponta da mesa com pés em cima. Bati na porta e ele mandou-me entrar.
- Tudo bem, Zé Carlos (não sabia que ele sabia o meu nome)?
- Tudo, governador e o senhor?
- Você sabe do Carlos Henrique[Ângelo]?
- Soube que está de férias...
- E o Abdoral [Cardoso]?
- Viajando, governador.
- Tá vendo o que é fim de governo? Todos me abandonaram..
Em seguida ele pediu que eu escrevesse alguma coisa sobre o Ministério da Previdência para ser publicado no final de semana seguinte. Fiz o texto, entreguei à secretária e não o vi mais até uma campanha eleitoral já em meados dos anos 2000. Nos encontramos algumas vezes, quando ele foi embora para Brasília e acabou-se a história.
Que sua alma repouse em paz.
Eu o conheci às vésperas das eleições de 1987, quando renunciou à Prefeitura de Porto Velho, e fui à posse de Tomás Correia. Depois, como tantos outros, entrei na campanha eleitoral, quando o então governador Ângelo Angelim mobilizou a "máquina" para eleger o Bengala, como era conhecido.
O prêmio que Angelin ganhou - após ter elegido Bengala - foi ser banido para Vilhena, não tendo sido, sequer, convidado para a inauguração do Cemetron - o Centro de Medicina Tropical de Rondônia, que já estava pronto quando Jerônimo assumiu. Todos os assessores de cargos de confiança do governo Ângelo Angelin foram exonerados no primeiro ato de governo. Isso é uma rotina. Mas não foram poupados nem aqueles que mais se dedicaram à campanha política.
Depois houve outros percalços. Jerônimo dividia o PMDB em vários clãs: O PMDB do Orestes (vice-governador), o PMDB do Amir Lando, o PMDB do Paulo Araújo e assim por diante. Dando a cada um deles o peso que acreditava valerem.
A minha convivência com ele foi grande e distante ao mesmo tempo. Eu era assessor de imprensa do vice-governador e via o governador sempre, mas ficava no papel de assessor, fazendo parte da paisagem e falando se perguntassem. Ocasionalmente cobria os colegas do Decom em algum evento ou no interior, quando não podiam ir.
Dois momentos, na Polícia Militar e em algum lugar no interior (Fotos Decom)
A passagem mais marcante foi após a eleição que definiu o sucessor de Jerônimo, Osvaldo Piana, e antes da posse - nesta época a transmissão de poder era em março. Estava eu na Vice-Governadoria olhando para o tempo, quando a recepcionista chamou-me e passou a ligação da secretária do governador:
- José Carlos, o governador está chamando você aqui na Sudeco ("Palácio dos Despachos", que Jerônimo usava por superstição ao Palácio Getúlio Vargas, onde eu ficava).
- Está me chamando? Você tem certeza?
- Você não é o José Carlos, assessor de imprensa do vice-governador?
- Sou, mas o governador está chamando?
- Isso. Posso dizer que você está vindo?
- Pode. Estou saindo.
Cheguei esbaforido ao gabinete do governador. Não tinha guarda, recepcionista e nem a secretária dele estava lá. Todas as portas estavas abertas. Fui entrando. Da sala da secretária dava para ver, na outra sala, uma ponta da mesa com pés em cima. Bati na porta e ele mandou-me entrar.
- Tudo bem, Zé Carlos (não sabia que ele sabia o meu nome)?
- Tudo, governador e o senhor?
- Você sabe do Carlos Henrique[Ângelo]?
- Soube que está de férias...
- E o Abdoral [Cardoso]?
- Viajando, governador.
- Tá vendo o que é fim de governo? Todos me abandonaram..
Em seguida ele pediu que eu escrevesse alguma coisa sobre o Ministério da Previdência para ser publicado no final de semana seguinte. Fiz o texto, entreguei à secretária e não o vi mais até uma campanha eleitoral já em meados dos anos 2000. Nos encontramos algumas vezes, quando ele foi embora para Brasília e acabou-se a história.
Que sua alma repouse em paz.
11 de ago. de 2013
MIGRANDO DE EDITORIA II
Falando nisso, não sei se já contei aqui. No final da década de 1980, no governo Jerônimo Santana, o secretário de Segurança era o delegado Eurípedes Miranda (onde anda ele?), que almejava uma vaga como deputado estadual.
Para marcar o nome, se desdobrava em ações diversas àquelas de sua pasta, participando de inaugurações, reuniões, promovendo eventos e tudo que era possível. A Assessoria dele mandava os rilisis para os jornais e no outro dia estavam todos publicados na editoria de polícia, para tristeza do deputado.,
Um dia Miranda me disse: "Zé Carlos, como é que eu faço para as minhas notícias saiam na página de política?" Eu sugeri que o assessor fosse conversar com os editores. Não sei se resolveu, mas ele foi eleito. Desconheço se por troca de editoria.
Para marcar o nome, se desdobrava em ações diversas àquelas de sua pasta, participando de inaugurações, reuniões, promovendo eventos e tudo que era possível. A Assessoria dele mandava os rilisis para os jornais e no outro dia estavam todos publicados na editoria de polícia, para tristeza do deputado.,
Um dia Miranda me disse: "Zé Carlos, como é que eu faço para as minhas notícias saiam na página de política?" Eu sugeri que o assessor fosse conversar com os editores. Não sei se resolveu, mas ele foi eleito. Desconheço se por troca de editoria.
12 de jun. de 2013
GENTE QUE SAI, MAS NÃO SEI QUEM CHEGA
A saída do jornalista Júlio Olivar do Decom já vem sendo anunciada por muitos veículos de comunicação e pelo próprio Júlio, que retornará à Secretaria de Turismo do Governo do Estado. Para assumir o Decom, dois nomes estão sendo cogitados, Sérgio Pires e Osmar Silva.
Trabalhei com o Osmar Silva na minha rápida passagem pelo CEAG (Atual Sebrae), no início do Governo Jerônimo Santana, antes de eu ser convidado a assumir a assessoria de imprensa do então vice-governador Orestes Muniz. Osmar sempre foi muito atencioso e simpático. Tem uma mão pesada quando escreve sobre algo que o incomoda.
Atualizando: Osmar Silva confirmado
Pinheiro de Lima, Confúcio Moura e Osmar Silva (Foto Blog do Confúcio)
Sobrevoando o CPA, Pipira diz que o "seu" Osmar tem mais chances. Uma delas é antiga amizade com o governador Confúcio Moura, já que Osmar é um dos pioneiros moradores e jornalistas de Ariquemes, desde 1979.Trabalhei com o Osmar Silva na minha rápida passagem pelo CEAG (Atual Sebrae), no início do Governo Jerônimo Santana, antes de eu ser convidado a assumir a assessoria de imprensa do então vice-governador Orestes Muniz. Osmar sempre foi muito atencioso e simpático. Tem uma mão pesada quando escreve sobre algo que o incomoda.
Atualizando: Osmar Silva confirmado
21 de mar. de 2013
EMANCIPAÇÃO DISTRITAL
A pipira voou pelos lados do Palácio Tancredo Neves, onde funciona a sede da Prefeitura de Porto Velho, e depois veio me falar, tirando uma dúvida que eu tinha, depois de ler os saites de notícias:
- Ao contrário do que imaginam alguns, o prefeito Mauro Nazif não é contra a emancipação do distrito de Extrema de Rondônia. Pelo contrário...
- Como você sabe disso, Pipira?
- O prefeito já deu declarações de que reconhece as condições econômicas favoráveis que a Ponta do Abunã possui para se tornar um município independente. Situação que, aliás, já é assim desde a "Guerra da Ponta do Abunã", 'quase' ocorrida no governo Jerônimo Santana, quando a governadora do Acre, Iolanda Fleming, mandou tropas acrianas invadirem a região, que é rica em minerais - rochas - pecuária de leite e corte e de agricultura, além, claro, de votos...
- E quando vai acontecer essa emancipação?
- Aí, Zé, cê tá querendo demais... Só Deus é quem sabe...
E a Pipira foi embora, não dando tempo de perguntar sobre o Movimento de Emancipação de Jacy-Paraná, que já está em brasa...
- Ao contrário do que imaginam alguns, o prefeito Mauro Nazif não é contra a emancipação do distrito de Extrema de Rondônia. Pelo contrário...
- Como você sabe disso, Pipira?
- O prefeito já deu declarações de que reconhece as condições econômicas favoráveis que a Ponta do Abunã possui para se tornar um município independente. Situação que, aliás, já é assim desde a "Guerra da Ponta do Abunã", 'quase' ocorrida no governo Jerônimo Santana, quando a governadora do Acre, Iolanda Fleming, mandou tropas acrianas invadirem a região, que é rica em minerais - rochas - pecuária de leite e corte e de agricultura, além, claro, de votos...
- E quando vai acontecer essa emancipação?
- Aí, Zé, cê tá querendo demais... Só Deus é quem sabe...
E a Pipira foi embora, não dando tempo de perguntar sobre o Movimento de Emancipação de Jacy-Paraná, que já está em brasa...
22 de nov. de 2012
PESAR
Lamento a morte do Wálter Bártolo. O conheci no governo do Jerônimo Santana, durante a Festa do Divino, lá em Laranjeiras, no Vale do Guaporé. Tive pouco contato com ele, mas o pouco foi sempre cordial. Assisti ao "Papo News", em que o Sérgio Mello o entrevistou e acompanhei ao Lúcio Albuquerque, nos tempos do Alto Madeira, em entrevista à dona Labibe Bártolo, mãe do Walter.
Lamento mesmo.
Lamento mesmo.
30 de mar. de 2010
DO PASSADO
Desde que cheguei ao hotel, na noite de ontem, o filminho do passado roda em minha cabeça. Me hospedo no Cacoal Palace desde a minha primeira viagem ao interior de Rondônia, no segundo semestre de 1986. Naquela época, como agora, políticos e pretendentes a políticos ensaiavam se saíam ou não candidatos. O ex-prefeito de Porto Velho e ícone do pmdb, também vinha muito a Cacoal. Pela manhã Jerônimo se levantava e ia para a sala do café, bem cedo. Cumprimentava quem estivesse por lá com um aperto de mão e um tapão nas costas; escolhia uma mesa afastada, se servia e começava a atender a quem fossse consultá-lo.
20 de out. de 2009
ÀS TRAÇAS
Há dias, comentei brevemente que o Memorial Jorge Teixeira está meio que largado. No Bom Dia Amazônia de hoje, da TV Rondônia, saiu uma matéria sobre o assunto. Houve apenas um equívoco: o último governador a morar na residência oficial não foi o governador Jorge Teixeira. Jerônimo Santana e Ângelo Angelim também moraram na casa num período posterior. (Imagem TV Rondônia)
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