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8 de jul. de 2010

(OUTRA) INVASÃO

O fotógrafo Roni Carvalho telefonou-me há pouco para contar que dona Helena Maria de Carvalho, 77 anos, teve a casa invadida por volta de meia-noite de ontem. Não eram ladrões, eram policiais militares atrás de um foragido que estaria escondido na casa da avó do fotógrafo. Para não fugir à regra da truculência, os soldados não tinham mandado de busca.
Segundo Roni, os policiais deixaram a viatura bem longe da casa de dona Helena, na rua Carlos Bueiro - bairro Costa e Silva - e entraram na residência no melhor estilo "coturno". Hoje de manhã foi registrado Boletim de Ocorrência na 2ª Delegacia de Polícia e amanhã a família vai procurar a Corregedoria da PM. "Lembrei imediatamente do Caso Josafá", comentou Roni Carvalho. Há quatro anos a casa do professor Josafá Borges da Silva foi invadida por policiais que procuravam um foragido. O rapaz foi assassinado e tudo continua como antes para os policiais que o mataram.
Quantas famílias têm a casa tomada por policiais sem mandado ou mesmo um motivo justo? Quantas delas deixam de denunciar? Quantas denúncias feitas dão em nada? São muitas perguntas e as respostas oficiais são insuficientes.

3 de dez. de 2009

CASO JOSAFÁ

Não pude fugir à comparação muito menos às lembranças do 'Caso Josafá' ao ler o Rota 66. No dia 16 de maio de 2006 a casa do professor Josafá Borges da Silva, 23 anos, foi invadida por policiais do Comando de Operações Especiais (COE) da PM. Eles procuravam o assassino do cabo Siqueira e na busca entraram na casa da família do rapaz, acordando a todos. Josafá foi assassinado na frente da mãe, dos irmãos e de um sobrinho de 4 anos. Após o crime, os policiais disseram à mãe do rapaz, dona Mariuza, que o filho dela estava bem, só havia ferido o braço. Assim como nos casos narrados no Rota 66, os policiais se "preocuparam" em dar atendimento médico ao rapaz, mas como ficou provado, ele já estava morto. E tal qual ocorreu com os policiais citados no livro do Caco, o policial que atirou e os outros que estavam com ele continuam na corporação.  Não sei dizer se cheios de condecorações como os colegas de São Paulo. Abaixo, algumas fotos da reconstituição do crime, no dia 17 de agosto de 2006, feitas pelo meu amigo Roni Carvalho, que me acompanhou durante toda aquela manhã.