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19 de mar. de 2015

INDÚSTRIA DA INVASÃO, OPS, DA OCUPAÇÃO

Autoridades federais, estaduais e municipais buscam uma solução para 300 famílias que invadiram, ops, ocuparam (eu não aprendo!) uma área destinada à construção de uma Estação de Tratamento de Esgotos que vai atender a zona sul da cidade. O dinheiro está disponível, as licenças em "dias", mas as pessoas que moram no local - ironicamente chamado de "Dilma Rousseff" -  querem ser colocadas em outra área.

Houve uma audiência de conciliação, mediada por um juiz federal, e a solução pode estar na cessão de três áreas a ser disponibilizadas pela Superintendência de Patrimônio da União. A localização das áreas pode ser anunciada na próxima semana.

Não faça isso, não, Antônio. Na hora em que forem apontadas as áreas um outro grupo vai lá e invade... Já contei aqui. Asuzina tinham que construir escolas para a Prefeitura, em bairros das zonas Sul e Leste, mas assim que a Prefeitura iniciava o processo de indenização do proprietário, o lugar era invadido.

17 de mar. de 2015

MILAGRE DE RONDON

Só a memória do Marechal Cândido Mariano Rondon foi capaz de desenterrar a caveira de burro que atrapalhava o uso do Centro Cultural Indígena, elefante branco que foi mandado construir pelo Iphan na área próxima à capela de Santo Antônio. Os prédios estão prontos há mais de três anos, mas a Prefeitura, que administraria o local, não previu no orçamento os recursos para gerenciar o complexo turístico. No último orçamento da administração Roberto Sobrinho, nem no primeiro do Mauro Nazif.

Por ser um terreno "federal", da área de domínio da finada Estrada de Ferro Maneira-Mamoré, a Superintendência do Patrimônio da União exigiu o cumprimento da legislação e a Prefeitura não conseguiu atender os pré requisitos. O Estado "ameaçou" querer gerenciar o local, mas não foi além da intenção.

(Foto JCarlos/2013)

Agora a história mudou. A partir da ideia divulgada pelo general André Novaes, comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva, de instalar aqui um Centro de Memória em homenagem ao Marechal Rondon, os interessados se aglutinaram.

Encontrei o Antônio Roberto dos Santos Ferreira, superintendente do Patrimônio da União, todo animado. "Agora vai", disse ele. O Centro Cultural será repassado à Unir, que cederá um espaço para a exposição sobre a vida do Marechal Rondon. A Unir também desenvolverá atividades de campo ligados à arqueologia e à religiosidade.

Fiz a sugestão que os documentos de cessão sejam assinados dia 5 de maio, data comemorativa de 150 anos do nascimento do Marechal Cândido Mariano Rondon e Dia Nacional das Comunicações, por isso mesmo.


13 de mar. de 2012

CASARÃO DA DISCÓRDIA

Peguei a carroça andando e não sei o que começou a confusão. Recebi emeio, junto com milhares de outras pessoas, solicitando apoio ao professor Marco Teixeira, que está recolhendo documentos, recortes, fotografias, para provar junto ao MPF a "relevância" do Casarão dos muitos nomes, que não é tombado como bem histórico pelo IPHAN. O prédio, existente em Santo Antônio, hoje no interior do canteiro de obras da UHE Santo Antônio, tem uma história conturbada.
Consta que foi construído na primeira tentativa de implantação da EFMM, em 1878. Depois que os americanos da P&T Collins abandonaram a obra, o imóvel foi ocupado pela empresa boliviana Hermanos Suarez, que comercializavam pélas de borracha.
Há um hiato e não se sabe o que aconteceu até a década de 1950, quando o escritor Manuel Rodrigues Ferreira ("A Ferrovia do Diabo") encontrou o casarão sendo usado como botequim, no que restava da Vila de Santo Antônio. No Banzeiros, a opinião de um arqueólogo do Museu Emílio Goeldi, Fernando Marque, aqui.
Outro pulo no tempo. Agora estamos em 1977. O empresário José Ribeiro, que possuía uma fazenda nas proximidades, adquiriu as ruínas do casarão. Segundo fui informado, só havia de pé a parede frontal, que foi escorada, para não desabar também. A partir das características desta parede sobrevivente, o restante do prédio foi redesenhado e o cômodos internos  acompanharam as divisões marcadas nos alicerces.As portas e janelas seguiram o modelo, mas outras peças foram repostas ao gosto do proprietário, como a grade de ferro que existe nos fundo do prédio. Telhas e outros materiais foram importados da Europa (Não souberam precisar de que país).
Em 1986, quando cheguei a Porto Velho, o Casarão era usado como sede do Iate Clube de Porto Velho. Perdi contato com o assunto e só voltei a ouvir falar dele quando começou o "famoso" Festival Casarão. Em 2008, pouco antes do início das obras da usina, estive no local com o Léo Ladeia e Chico Lemos. Fomos pedir licença para gravar no local. Foi aí que descobri que os atuais proprietário do imóvel são os empresários donos da empresa Socibra.
Atualmente a Superintendência do Patrimônio da União em Rondônia está solicitando à Advocacia Geral da União a reintegração de posse, pois, no entendimento do SPU, o Casarão está construído na faixa de 150 metros às margens da extinta ferrovia Madeira-Mamoré, que são patrimônio do país. (Foto JCarlos)