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30 de mar. de 2015

HEIN?

Se eu não estivesse acompanhando o assunto, ao ver este anúncio e com a minha imaginação fértil, eu pensaria que os bairros citados seriam transferidos de lugar.

(Foto Marcela Ximenes)

Para que nem imagina o que é a "Figura A", tento explicar: É um retângulo formado pelo rio Madeira, rua Rio de Janeiro, avenida Presidente Dutra, fechando na avenida Migrantes até o rio Madeira de novo. Esse pedaço de Porto Velho pertencia à Madeira-Mamoré Railway Company, concessionária da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. 

Hoje, já bastante ocupado, é terra da União que, por um lapso (sei-lá-de-quem) não foi repassada para o domínio do Estado ou do Município. De uns tempos para cá, alguém se lembrou de cobrar um imposto sobre o uso dessa terra e a encrenca começou.

(Ilustra Diário da Amazônia/Editado)


27 de mar. de 2015

BR-425 SOLUÇÃO E PROBLEMA

Lendo a coluna "Opinião de Primeira", do Sérgio Pires hoje, onde ele fala do abandono de Guajará-Mirim e das péssimas condições da BR-425, tenho que concordar quando afirma que a região só é lembrada na temporada de caça aos votos. Depois disso, na entressafra, os políticos eleitos desaparecem. Estou falando de uma forma geral.

Fiquei pensando no acesso até aquela cidade. A BR-425 nasceu da extinção da Ferrovia Madeira-Mamoré. O 5º BEC veio para Rondônia em 1966 com a missão de construir uma estrada rodoviária para impedir que as pessoas que moravam ao longo e no terminal da antiga estrada de ferro, e mais o Acre, não ficassem isoladas. O trabalho foi sendo feito paulatinamente e nunca acabou.

As pontes de ferro, que foram trazidas dos Estados Unidos, deveriam ter sido substituídas, há muito, por outras de concreto, o que só aconteceu na BR-364, entre Porto Velho e Abunã. Estas também demoraram muito para ficar prontas. As pontes previstas para o trecho BR-364 - Guajará-Mirim não foram todas construídas. Até hoje usamos as pontes ferroviárias sobre o rio Araras e sobre o Ribeirão, tendo ao lado delas os esqueletos das pilastras que sustentariam as natimortas pontes.

Lembro-me, ao chegar aqui, ouvir histórias sobre os comboios que o governo do Território e depois do Estado formava para levar comida, água potável e combustível para as populações de Guajará-Mirim e outras localidades ao longo do antigo traçado.

À esquerda traçado origina; no outro mapa o atual. Mudança sutil
(Mapas GuiaGeo e MTRans)

A rodovia ficou pronta, seguindo praticamente o mesmo caminho da EFMM, derivando da 364, a poucos metros da vila de Abunã. Já na passagem dos anos 80 para 90, foi decidido pelo Governo Federal uma alteração no traçado da BR-425, que começaria alguns quilômetros antes do local original, reduzindo a distância até Guajará-Mirim. A rodovia foi asfaltada pelo prefeito Isaac  Bennesby, com recursos municipais. O Tribunal de Contas meteu um processo nele, que foi obrigado a devolver o dinheiro gasto e a pagar uma multa imensa. Tudo do próprio bolso,

Eu estava perto quando o então governador Jerônimo Santana comentou sobre esse assunto: "Falei pro general, a estrada vai dar num pântano. Ele insistiu na ideia, então deixei prá lá". E a estrada não fica pronta, é como se o pântano do Jerônimo sugasse todos os esforços para concluir a rodovia. Ô boca, Jerônimo, ô boca!

23 de fev. de 2015

LENDO NAS ENTRELINHAS

Durante os anos do golpe militar, com a Imprensa sob censura declarada ou velada, toda uma geração aprendeu a ler nas entrelinhas, mesmo onde não houvesse mensagens escondidas ou subliminares. Ao ler jornais e revistas como o Estado de S. Paulo, O Movimento, O Pasquim, entre outros, buscávamos significados, avisos, interpretações, qualquer coisa que achávamos que os redatores tinham cifrado no texto para informar o leitor o que realmente estava acontecendo no país. A ditadura acabou, a censura prévia também. Hoje existem outros tipos de censuras e até mais cruéis. Mas as "mensagens" continuam nos textos desafiando nossa atenção.


Estou dizendo isso tudo para comentar um rilise da Prefeitura, em que se informa a transferência do "acervo" da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré", do pátio e das salas do "Prédio do Relógio" para um galpão alugado pelo Município para guardar os enfeites do "Natal da Sucatabilidade" e aqueles de natais passados que conseguiram sobreviver às intempéries "do tempo", como diria um coleguinha.

A mudança não será definitiva, pois deste galpão, o acervo será levado para outro galpão, onde será restaurado. Em um trecho da matéria, o presidente da Funcultural lamenta esta alteração de endereço que considera desnecessária, e comenta: "De fato, no pátio há peças expostas ao sol e a chuva, mas estão muito mais protegidas do que estavam. Como elas não podiam ser vistas, as pessoas até nem reclamavam, mas agora que ficaram mais expostas as pessoas se dizem chocadas com seu estado. Assim, para evitar maiores controvérsias, resolvemos transportá-las para outro local".

Longe dos olhos, perto do coração. (Fotos Ivo Feitosa/Gente de Opinião)

21 de fev. de 2015

CENAS DA CIDADE E ARREDORES

 Gato no medidor de energia (Foto Internet)

 Papai Noel ficou preso na grade desde o natal

 Chaveiro-escova ou escova-chaveiro?

 
 Homem-de-Ferro garante a segurança na CEF

Trabalho do(a) artista plástico(a) Franciney, exposto na Casa de Cultura "Ivan Marrocos"

 Decoração na lanchonete "Castelinho", provavelmente inspirada no "Natal da Sucatabilidade"

 Fiquei na dúvida: Era reserva de estacionamento para cadeirante ou patinante?

 Sem palavras

 Última moda no corte de cabelos em La Banda

 Contravenção

Caixa d'água metálica da Estação de Guajará-Mirim
(Fotos Marcela Ximenes/JCarlos)

20 de fev. de 2015

RESGATANDO UMA DÍVIDA

Uma história que me deixou encafifado há muito tempo, consegui tirar a limpo neste final de semana, com a ajuda da Mar.

No começo de 1999 eu dei carona para o meu então colega na Faculdade de Turismo Oswaldo Souza Filho, conhecido árbitro de Futsal. Perguntei onde ele tinha nascido. O Oswaldo baixou a cabeça e respondeu: "A cidade onde eu nasci não existe mais". Estranhei a resposta e mesmo arriscando a ser indelicado, quis saber que cidade era essa, que havia desaparecido. Com a voz baixa Oswaldo murmurou "Vila Murtinho".

Sempre que eu ia a Guajará-Mirim eu me programava para ir até a Vila Murtinho, mas esquecia. Desta vez, com o apoio da Mar fomos lá. Vila Murtinho foi um importante entroncamento da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, onde eram embarcados produtos vindos da Bolívia, especialmente o látex.

Com a extinção da ferrovia e a construção da BR-425, as pessoas que moravam em Vila Murtinho foram migrando e formando a Nova Mamoré, que já se chamou Vila Nova, Vila Nova do Mamoré e teve o nome atual escolhido pela população.

Vejam como encontramos a Vila Murtinho:

 A Igreja consagrada a Santa Terezinha foi restaurada no ano passado. O templo foi construindo por Dom Francisco Xavier Rey, em 1949
(Data corrigida, com informações do dr. Paulo Saldanha)
 Guardião, um tanto distraído
 A antiga estação
 A caixa d'água que abastecia os trens
 O prédio da estação está bem detonado
 Sinais da cheia nas casas que voltaram a ser ocupadas
 Outro ângulo da estação
(Fotos Marcela Ximenes e JCarlos)

18 de fev. de 2015

CARNAVAL NA SELVA

Em 2013, finalzinho do ano, compramos um pacote oferecido pelo Pakaás Lodge, em Guajará-Mirim, para o carnaval 2014. Como todo mundo sabe, houve a "mãe-de-todas-as-cheias" que interditou as rodovias e também atingiu o hotel. Não pudemos ir após a enchente, por vários motivos.

Com a ajuda do nosso meteorologista e hidrólogo Dayan Santana, 'logramos êxito' e fomos passar este feriado de carnaval na 'Pérola do Mamoré'. E pense num lugar tranquilo...


A estrada não está boa, mas não é nada que um pouco de calma não possa superar. A ponte sobre o rio Araras, sim, é preocupante. Tábuas soltas e algumas já apodrecidas. A ponte metálica, vale lembrar, é legado da EFMM. Ao lado vemos estrutura da base, em concreto, daquela que seria a nova ponte para nos recordar que o Governo Federal (não) olha para cá e (não) temos deputados federais e senadores que lutem por nós. E o Chapolim Colorado, que poderia nos salvar, morreu!

Mas foram quatro dias de tranquilidade em que a Mar e eu descansamos muito. Obrigado dr. Paulo Saldanha pelas histórias e ao Dayan pela assessoria.

Sim, o hotel mantém o ótimo padrão, especialmente na gastronomia.
Atualizada em 21/02/2015

23 de jan. de 2015

MAIS UM CENTENÁRIO QUE JÁ ERA

É, parece que a relação entre Porto Velho e os seus centenários (inauguração da Madeira-Mamoré, Capela de Santo Antônio, criação do Município e instalação do Município) não é boa. Não sei qual é a dificuldade em se celebrar uma data histórica!

O Estado de Rondônia também esquece das datas (que deveriam ser) importantes (criação do Território, criação do Estado, instalação do Estado, aniversário do Rondon...).

Depois do fiasco do aniversário do Estado, dia 4 de janeiro, em que não houve absolutamente nada - não conto o texto distribuído pelo Decom às 16h30 de domingo -, agora é o cancelamento do pouco que estava programado para este sábado dia 24, data da instalação do Município de Porto Velho e feriado municipal.

A Fundação Cultural, via Condecom,  soltou um rilisi caprichado falando da programação para se comemorar o centenário de instalação do Município de Porto Velho Ontem enviou um aviso do cancelando de parte da 'festa' que seria realizada no sábado, dia da instalação. Ficou apenas a realização do "1º Forum Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural".

Não sei o que houve, se houve e porque houve. Sei o que não haverá e que previ isso há alguns dias.

18 de dez. de 2014

CENAS DA CIDADE



 À espera de um fósforo
 Gago?
 O Filho do Homem no supermercado
 Jesus Cristo volta antes desta penitenciária feminina ficar pronta
Ainda bem que o blog não propaga odores, pois o mau cheiro na Estação está de matar
Experiência-piloto com assentos personalizados em paradas de ônibus
(Fotos JCarlos)

19 de nov. de 2014

MARCAS INDELÉVEIS

Enquanto esperava a chegada das equipes de tevê, mostrar o trabalho de limpeza que está sendo feito nas antigas oficinas, rotunda e girador no complexo ferroviário da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, fiquei vagando entre as antigas máquinas que eram usadas para a manutenção das locomotivas, vagões e da via permanente, nos quase 60 anos de existência da ferrovia.

O tempo foi cruel com estes equipamentos. Também foram cruéis aquelas pessoas que tinham o dever de proteger o acervo que foi salvo de virar sucata e ser derretido na Companhia Siderúrgica Nacional.

Abaixo, algumas "etiquetas" das máquinas, umas pouco legíveis. (Fotos JCarlos)






17 de nov. de 2014

CENAS DA CIDADE

 Gambiarra I - Onde está o sinal da TIM?
 Gambiarra II - Espreguiçadeira #SQN
Qual está valendo? (Fotos JCarlos)

DO PASSADO

Há 111 anos era firmado o Tratado de Petrópolis entre os governos do Brasil e da Bolívia, formalizando a anexação do território, que hoje é o Estado do Acre, às terras brasileiras. A data é importante não só para os acreanos (hoje é feriado lá), como para nós, rondonienses (eu me acho, dá licença?).

Um dos itens do acordo determinava que o governo brasileiro construísse uma via terrestre permitindo o escoamento da produção boliviana - especialmente o látex - para o Oceano Atlântico. Daí a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré passou a ser uma obrigação do Estado brasileiro, independente dos interesses ocultos do empresário Percival Farquhar, que já cobiçava os seringais existentes às margens dos rios afluentes do Madeira.

Parabéns aos irmãos acreanos, portanto, e o registro do entrelaçamento de nossas histórias.

12 de nov. de 2014

ANTROPOFAGIA CABOCLA

Eu já tinha visto o quadro, mas não tinha parado para observar os detalhes. A obra do artista plástico e cartunista do Diário da Amazônia, João Zoghbi, está exposta no restaurante Amadeu's, ali na avenida Farquhar com Carlos Gomes e mostra aquilo que outro artista - este da música - Sílvio Santos, o Zé Katraca, chamou de "Guernica Beradera".

É olhar com cuidado e você vai vendo o que é  ostensivo e imaginando o subentendido, que só o autor pode explicar esta parte da obra. E por falar em parte, vou mostrar três fotos do quadro. Prometo levar uma câmera decente e fotografar a obra por inteiro.

 Logo em primeiro plano, uma anta sob os trilhos e vários outros símbolos
Aqui, a chaminé representa o "Tio Sam", nacionalidade do dono da EFMM; 
o sino, com uma boca escancarada, cheia de dentes;  
um negro, provavelmente representando os caribenhos, com outro símbolo da praça: 
os pombos. Embaixo, um cabo de guerra entre "os 'palhaços' da cultura e os políticos", 
como explica o Zoghbi
O artista homenageia o coronel "Teixeirão", o retratando como o maquinista que salvou a Madeira-Mamoré de ser literalmente derretida como sucata (Foto JCarlos)

CENAS DA CIDADE

Vistos por aí
 Já vi o uso de cone para impedir estacionamento, parada, avisar sobre acidentes, 
mas nunca vi interditando mictórios
 
Caixas D'Água, com Unir em primeiro plano 
(Foto JCarlos)
Para quem gosta de árvore de natal com produtos reciclados. Utilizam caixas de ovos, cartucho de café de máquina e sacolas de supermercado. Ultra-mega-blaster ecológica.
Uma dica da Vomitei.Com
 
Locomotiva Marechal Rondon, antes da limpeza (Foto JCarlos)
Pôr-do-sol em Porto Velho, com Miss Liberty
(Foto Sara Duque Estrada)

A FONTE DO MAL

Dizem que, após o decreto nº 58.501, de 25 de maio de 1966, que extinguiu um monte de ferrovia pelo Brasil, inclusive e principalmente, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, por serem deficitárias economicamente, foi o decreto n° 473, de 10 de março de 1992, assinado pelo presidente Fernando Collor de Mello é que fez esta bagunça no que restou da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

Ficou uma parte para a União, outra para o Estado de Rondônia, que depois foi subdividida com os municípios de Porto Velho e Guajará-Mirim. Como diz o adágio popular, "Cachorro que tem dois donos, passa fome". E é o que acontece hoje.
Entre meus alfarrábios, encontrei uma cópia do tal decreto de 1992

8 de nov. de 2014

DE ENCHENTES E LIVROS

Já ouvi muitas vezes frases relacionando o rio (seja qual for) com a vida das pessoas. Quem já mora à margem de um rio, grande ou pequeno, já sabe o quanto essa relação é verdadeira.

No caso do rio Madeira e da sua enchente histórica, a amplitude do envolvimento é maior. A cidade de Porto Velho e uma parte do município se erguem às suas margens. Pessoas, como eu, que vieram de outros estados e que nunca tinham visto um rio deste tamanho, passam a respeitá-lo, temê-lo (falo por mim) e amá-lo. Ao estudar a história, é pelas expedições do bandeirante Raposo Tavares e a do militar Pedro Teixeira que você conhece o rio Madeira.

Outras histórias se sucedem, até que chega a necessidade de se construir uma comunicação terrestre entre a cachoeira de Santo Antônio, no rio Madeira, e a de Guajará-Mirim, no rio Mamoré, na fronteira com a Bolívia. Uma nova saga.

Agora, coincidindo com o centenário de criação do município de Porto velho, temos o fenômeno da cheia histórica. Milhares de pessoas desabrigadas, localidades que desapareceram, levadas pelas águas, outras que foram cobertas pelos sedimentos que viram na enchente. Duas hidrelétricas estão sendo construídas no leito do rio, e sobre elas pesou a culpa pela ocorrência do fenômeno natural, que já havia sido registrado no início da construção da EFMM, com as mesmas características, mas a população era infinitamente menor e não havia a facilidade de comunicação que existe hoje, para o bem e para o mal.

LIVROS

Nesta sexta-feira, 7, dois livros foram lançados com o mesmo tema. Pelo professor José Dettoni, "Porto Velho - 100 anos", em versos, conta a sua chegada à Porto Velho e o amor que passou a ter por esta terra.

O outro livro lançado - e que tive o prazer de participar -, foi "Rio de Histórias", assinado pela professora Yêdda Borzacov e pelos médicos Samuel Castiel e Viriato Moura. Os autores contam histórias acontecidas ou imaginadas nas barrancas do Maderão, cada um a seu estilo.

São crônicas contando vidas de personagens, como o peruano Arturo Duendes, artista plástico, morador de uma estância e que tinha estranhos poderes, como conta o Samuel; ou o "anjo", que chegou durante a enchente no baixo Madeira e que ao partir, acelerou a vazante e impediu que as doenças pós-cheia se manifestassem, esclarece Viriato. Já a professora Yêdda, usa a cidade como personagem da crônica "Gravetos Históricos de Porto Velho Centenário".

Estas são apenas algumas considerações. Vou acrescentar as impressões após a leitura completa do livro. Abaixo fotos do evento:
 Samuel, Antônio Alberto Lima, Walter Bariani e eu 
(Foto Eujácio Rocha /Gente de Opinião)


 O presidente da ACLER, William Haverly Martins, fala das dificuldades da Academia

 Samuel, em nome dos autores, apresenta o livro
 O médico Viriato Moura relaciona a obra ao centenário da cidade
(Fotos Zeno Ruibeiro)
                                Antônio Alberto Lima, Walter Bariani, eu e o vereador Sid Orleans
                                                                                   (Foto Lila Castiel)