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13 de fev. de 2015
FRASE
"A questão é o Real, essa absurda e fictícia unidade monetária que nos ilude e espanta os estrangeiros". Quem escreveu isso não é nenhum jornalista filiado ao "Partido da Imprensa Golpista - PIG", nem algum economista ultra-ortodoxo, mas o escritor Lima Barreto. A frase, atualíssima, faz parte da crônica "Variações", de 1922 e está no livro "Crônicas Escolhidas", editado pela Ática/1995, que tive a ousadia de resenhar para o jornal Alto Madeira (02/06/89).
13 de nov. de 2014
PESAR
Lamento o falecimento do escritor e poeta Manoel de Barros. Mato-grossense de Cuiabá, foi menino para o Pantanal, onde se formou para a vida. Sou fã do poeta há pouco mais de dez anos. Li a sinopse do livro "Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo" (2001, Editora Record), em uma destas revistas de bordo e me apaixonei pelo velhinho. Comprei o livro pela internet, pois não encontrei nas livrarias da cidade e fiquei aguardando ansioso.Era diferente de tudo o que eu tinha lido. O poeta, como 'delata' o nome do livro, se preocupava com as coisas ínfimas, como a asa de uma mosca, um fio de cabelo no canto da parede ou com a poeira se acumulando nos móveis. Manoel de Barros enxergava os passarinhos, as cigarras, as lesmas, as pedras e o rio. Especialmente o rio.
Gosto muito destes versos: "O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa / era a imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás de casa. / Passou um homem depois e disse: Essa volta
que o rio faz por trás de sua casa se chama enseada. / Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que fazia uma volta atrás de casa. / Era uma enseada. / Acho que o nome empobreceu a imagem."
Depois li outros, "O Livro das Ignorãças", "Livro sobre o Nada", "Memórias Inventadas", além de pesquisar sobre ele e assistir entrevistas, sempre com o sabor de novidade que senti ao ler o "Tratado".
E o Brasil perde mais um grande brasileiro, mesmo que ele não quisesse ser.
8 de nov. de 2014
DE ENCHENTES E LIVROS
Já ouvi muitas vezes frases relacionando o rio (seja qual for) com a vida das pessoas. Quem já mora à margem de um rio, grande ou pequeno, já sabe o quanto essa relação é verdadeira.
No caso do rio Madeira e da sua enchente histórica, a amplitude do envolvimento é maior. A cidade de Porto Velho e uma parte do município se erguem às suas margens. Pessoas, como eu, que vieram de outros estados e que nunca tinham visto um rio deste tamanho, passam a respeitá-lo, temê-lo (falo por mim) e amá-lo. Ao estudar a história, é pelas expedições do bandeirante Raposo Tavares e a do militar Pedro Teixeira que você conhece o rio Madeira.
Outras histórias se sucedem, até que chega a necessidade de se construir uma comunicação terrestre entre a cachoeira de Santo Antônio, no rio Madeira, e a de Guajará-Mirim, no rio Mamoré, na fronteira com a Bolívia. Uma nova saga.
Agora, coincidindo com o centenário de criação do município de Porto velho, temos o fenômeno da cheia histórica. Milhares de pessoas desabrigadas, localidades que desapareceram, levadas pelas águas, outras que foram cobertas pelos sedimentos que viram na enchente. Duas hidrelétricas estão sendo construídas no leito do rio, e sobre elas pesou a culpa pela ocorrência do fenômeno natural, que já havia sido registrado no início da construção da EFMM, com as mesmas características, mas a população era infinitamente menor e não havia a facilidade de comunicação que existe hoje, para o bem e para o mal.
LIVROS
Nesta sexta-feira, 7, dois livros foram lançados com o mesmo tema. Pelo professor José Dettoni, "Porto Velho - 100 anos", em versos, conta a sua chegada à Porto Velho e o amor que passou a ter por esta terra.
O outro livro lançado - e que tive o prazer de participar -, foi "Rio de Histórias", assinado pela professora Yêdda Borzacov e pelos médicos Samuel Castiel e Viriato Moura. Os autores contam histórias acontecidas ou imaginadas nas barrancas do Maderão, cada um a seu estilo.
São crônicas contando vidas de personagens, como o peruano Arturo Duendes, artista plástico, morador de uma estância e que tinha estranhos poderes, como conta o Samuel; ou o "anjo", que chegou durante a enchente no baixo Madeira e que ao partir, acelerou a vazante e impediu que as doenças pós-cheia se manifestassem, esclarece Viriato. Já a professora Yêdda, usa a cidade como personagem da crônica "Gravetos Históricos de Porto Velho Centenário".
Estas são apenas algumas considerações. Vou acrescentar as impressões após a leitura completa do livro. Abaixo fotos do evento:
(Foto Lila Castiel)
No caso do rio Madeira e da sua enchente histórica, a amplitude do envolvimento é maior. A cidade de Porto Velho e uma parte do município se erguem às suas margens. Pessoas, como eu, que vieram de outros estados e que nunca tinham visto um rio deste tamanho, passam a respeitá-lo, temê-lo (falo por mim) e amá-lo. Ao estudar a história, é pelas expedições do bandeirante Raposo Tavares e a do militar Pedro Teixeira que você conhece o rio Madeira.
Outras histórias se sucedem, até que chega a necessidade de se construir uma comunicação terrestre entre a cachoeira de Santo Antônio, no rio Madeira, e a de Guajará-Mirim, no rio Mamoré, na fronteira com a Bolívia. Uma nova saga.
Agora, coincidindo com o centenário de criação do município de Porto velho, temos o fenômeno da cheia histórica. Milhares de pessoas desabrigadas, localidades que desapareceram, levadas pelas águas, outras que foram cobertas pelos sedimentos que viram na enchente. Duas hidrelétricas estão sendo construídas no leito do rio, e sobre elas pesou a culpa pela ocorrência do fenômeno natural, que já havia sido registrado no início da construção da EFMM, com as mesmas características, mas a população era infinitamente menor e não havia a facilidade de comunicação que existe hoje, para o bem e para o mal.
LIVROS
Nesta sexta-feira, 7, dois livros foram lançados com o mesmo tema. Pelo professor José Dettoni, "Porto Velho - 100 anos", em versos, conta a sua chegada à Porto Velho e o amor que passou a ter por esta terra.
O outro livro lançado - e que tive o prazer de participar -, foi "Rio de Histórias", assinado pela professora Yêdda Borzacov e pelos médicos Samuel Castiel e Viriato Moura. Os autores contam histórias acontecidas ou imaginadas nas barrancas do Maderão, cada um a seu estilo.
São crônicas contando vidas de personagens, como o peruano Arturo Duendes, artista plástico, morador de uma estância e que tinha estranhos poderes, como conta o Samuel; ou o "anjo", que chegou durante a enchente no baixo Madeira e que ao partir, acelerou a vazante e impediu que as doenças pós-cheia se manifestassem, esclarece Viriato. Já a professora Yêdda, usa a cidade como personagem da crônica "Gravetos Históricos de Porto Velho Centenário".
Estas são apenas algumas considerações. Vou acrescentar as impressões após a leitura completa do livro. Abaixo fotos do evento:
Samuel, Antônio Alberto Lima, Walter Bariani e eu
(Foto Eujácio Rocha /Gente de Opinião)
O presidente da ACLER, William Haverly Martins, fala das dificuldades da Academia
Samuel, em nome dos autores, apresenta o livro
O médico Viriato Moura relaciona a obra ao centenário da cidade
(Fotos Zeno Ruibeiro)
Antônio Alberto Lima, Walter Bariani, eu e o vereador Sid Orleans(Foto Lila Castiel)
17 de abr. de 2014
PESAR
Lamento a morte do escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez. Todos sabiam que ele estava doente e que a idade era avançada, mas tem pessoas que deveriam ser eternas. Conheci, através dele e do Julio Cortázar, o realismo fantástico, antes de ler o mineiro Murilo Rubião - um dos inventores do estilo.
Eu sou de veneta, quando pego um tema leio até enjoar. Assim li, da obra de Garcia Márquez, "Relato de um náufrago", "Ninguém escreve ao coronel", "Os funerais da mamãe grande", "A incrível e triste história de Cândida Eréndira e sua avó desalmada" (filme também), "Olhos de cão azul", "O outono do patriarca", "Crônica de uma morte anunciada", "O general e seu labirinto", "O amor em tempo do cólera" e "Notícia de um sequestro". Não nessa ordem, até que acabaram os livros do autor na biblioteca do Sesc em Belo Horizonte, quando partí para outros autores da mesma escola.
Eu sou de veneta, quando pego um tema leio até enjoar. Assim li, da obra de Garcia Márquez, "Relato de um náufrago", "Ninguém escreve ao coronel", "Os funerais da mamãe grande", "A incrível e triste história de Cândida Eréndira e sua avó desalmada" (filme também), "Olhos de cão azul", "O outono do patriarca", "Crônica de uma morte anunciada", "O general e seu labirinto", "O amor em tempo do cólera" e "Notícia de um sequestro". Não nessa ordem, até que acabaram os livros do autor na biblioteca do Sesc em Belo Horizonte, quando partí para outros autores da mesma escola.
3 de jul. de 2013
GREGOR, MINHA 'BARATA' FAVORITA
Quando eu vi o primeiro livro do Kafka, não sei. Sei que o primeiro foi "Metamorfose". A obra me marcou de um uma forma tão intensa, que não parava de imaginar as sensações que Gregor Samsa experimentava ao se ver transformado em uma barata.
Hoje, na comemoração dos 130 anos de nascimento Franz Kafka, o escritor tcheco é homenageado com o "doodle" do site de buscas Google, que muda seu logotipo em datas especiais. O Banzeiros se alia a esta homenagem.
Recomendo, além de "Metamorfose", "O Processo" (lembra fatos do período do governo militar no Brasil), "A Colônia Penal", e "Um Médico Rural" (sensacional).
27 de mar. de 2012
DEFINIÇÃO
No livro "O que sei de Lula", o jornalista José Nêumanne Pinto assim define o seu biografado: "(...) ele sempre teve dificuldade para distinguir o bem do mal, mas nunca deixou de ter plena noção do que pode ou não lhe convir."
Esta mesma definição posso colar, sem receio, em algumas pessoas com quem convivo diariamente. Não é, JP?
Esta mesma definição posso colar, sem receio, em algumas pessoas com quem convivo diariamente. Não é, JP?
2 de jun. de 2011
FRASE
A partir da esquerda, Lucas Figueiredo, Fred Perillo e Aleks Palitot
"O olhar do jornalista não é melhor ou pior que o do historiador. É diferente." Lucas Figueiredo, no Projeto "Sempre um Papo", ao lançar seu livro "Boa Ventura - A corrida do ouro no Brasil", ao responder uma pergunta sobre jornalistas que escrevem sobre história. (Foto c/celular JCarlos)
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